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Agricultura Familiar de Montes Claros alavancou após Lula

27/10/2017 11:34

João Simael em sua plantação de morangos orgânicos. Foto: Kamilla Ferreira/Agência PT

Por Pedro Shibahi

Da Agência PT de Notícias Na cidade de Monte Claros, em Minas Gerais, os agricultores familiares João Simael da Silva e Uéverton Santos Feitosa mostram como políticas públicas bem elaboradas transformam a vida no campo e aumentam a produtividade, de maneira saudável e ecológica.

A cidade é a oitava parada da caravana de Lula Pelo Brasil, na etapa Minas Gerais. Em Montes Claros, os agricultores se organizaram em torno da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros da Região do Pentáurea (ASPROPEN), que reúne cerca de 120 famílias.

Por conta de políticas públicas como o Pronaf – programa de crédito para pequenos produtores, PAA – Programa de Aquisição de Alimentos, que abastece o Restaurante Popular e a rede socioassistencial do município e PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar, a associação e seus participantes começaram a expandir a produção.

“Nós não tínhamos valor até que veio a época de Lula”, conta Simael. “Foi uma coisa que eu nunca imaginei na minha vida, na época de Lula eu ouvi falar, agricultura familiar. Aí que veio a agricultura família, nós tivemos vez”.


Simael exibe seus morangos irrigados pela técnica de micro gotejamento. Foto: Kamilla Ferreira/Agência PT

“Antes, se a gente passasse na porta de um banco, a gente era suspeito, era bandido, depois o banco abriu as portas com o Pronaf. Eu mesmo melhorei a irrigação, botei energia na irrigação, coloquei gotejamento, economizando água”.

“Com meus 17 hectares e meio, também peguei nove famílias, botei eles aqui dentro e hoje todos tem seu carro, sua casa boa, e levam uma vida tranquila”. Toda a produção na propriedade de Simael é feita colaborativamente, com divisão dos frutos do trabalho.

Hoje, Simael é pioneiro na plantação de morangos orgânicos no norte de Minas, além de plantas como chuchu, tomate e pimentão, sem uso de agrotóxicos. Ele destaca que, além do apoio financeiro, o governo de Lula também deu apoio técnico.

“A gente teve acesso ao Sebrae na época de Lula. No instituto de tecnologia teve um moço do Nordeste que trouxe o projeto mandala [de agricultura autossustentável] para a nossa região, a gente começou a adquirir algumas técnicas, como usar o cabinho do pirulito para fazer um micro aspersor e molhar as plantas”

“Daí por diante a gente foi buscando as tecnologias, nós tivemos acesso aos créditos, ao dinheirinho. A gente até sabia que existia mangueira de gotejamento, mas não tinha condições de comprar, de fazer isso. Foi no governo de Lula que nós tivemos todas as condições para a gente produzir”.


João Simael da Silva. Foto: Kamilla Ferreira/Agência PT

Simael explica que o conjunto das políticas públicas criadas no governo de Lula atuaram a favor do pequeno agricultor, com destaque para o Luz Para Todos.

“Há poucos tempos, a gente ainda falava em querosene, porque a lamparina era com querosene. Lula botou Luz Para Todos. Porque esse pessoal cresceu? Porque além de ter a luz, podia comprar uma bombinha, levar no seu córrego, fazer a irrigação e produzir. Isso que alavancou realmente e pegou o pobre, que começou a se equilibrar”.

O agricultor ainda destaca que, nos governos do PT, muitos moradores da zona rural passare a ter acesso àeducação, inclusive seus filhos. “Veio o interesse de pegar os filhos pretos, índios e pobres e botar na faculdade. Na nossa região, a maior parte dos jovens está na faculdade”, afirma.

“Eu tenho um filho que terminou o mestrado, é contador do Instituto Federal, da reitoria. Tenho uma filha que é do Estado. A gente não tinha a expectativa de pagar uma faculdade para eles, e hoje eles estão aí, concorreram com os ricos, passou no concurso porque teve oportunidade, o filho do pobre teve oportunidade de estudar e concorrer com os filhos dos barões”.


Uéverton Feitosa, conhecido como Baiano. Foto: Kamilla Ferreira/Agência PT

Conhecido como Baiano, Uérverton Feitosa se compara a Lula, pois, como o ex-presidente, saiu de seu estado natal por conta da seca, em busca de oportunidades.

“Eu comparo a minha vida um pouco a de Lula, porque quando a gente sai do Nordeste, sai em busca de algo melhor, na época os governos não ofereciam, então a gente tinha obrigação. Quando vejo daquela história de Lula, que saiu de lá com pau-de-arara e tudo, e fez a revolução que ele fez, eu tenho um pouquinho dele”.

Após trabalhar 18 anos em um restaurante na região, Uéverton ficou desempregado e com a ajuda do sogro iniciou uma pequena horta, que hoje produz mais de 17 mil pés de alface, entre outras culturas.

“Se não fossem esses programas do governo, se não fosse esses investimentos, principalmente do Banco do Brasil, e do Banco do Nordeste, hoje a gente não estava trabalhando na agricultura família”.

Ele afirma que o PNAE e o PAA foram as políticas mais importantes para garantir o sucesso da empreitada, assim como o Pronaf. “Essas políticas que deram certo, a gente pode ir no banco, pegar um empréstimo com 3 anos de carência e foi aí que alavancou tudo”.


Uéverton guarda com carinho panfleto com os rostos de Lula e Dilma. Foto: Kamilla Ferreira/Agência PT

“Peguei 15 mil para plantar 100 covas de chuchu, e dessas 100 eu cheguei a 800 covas”, conta ele. “Hoje estou pagando meus empréstimos certinho, mas até quando, não sei. Esse governo que está aí cortou 95% do PNAE, e praticamente 95% do PAA, então está difícil a gente trabalhar”.

Fazendo uma referência à perseguição que o ex-presidente sofre por parte do Judiciário e da imprensa, Simael afirma que “Lula é culpado de botar os filhos de pobre nas faculdades. O Lula é culpado de tirar o povo dos ranchos. Eu conheço o povo que mora aqui e 30% morava em palhoça, hoje todo mundo mora em casas boas, ele é culpado disso”.

Segundo Simael, “ele é culpado demais porque agora os ricos têm que trabalhar, mas eles não querem, querem pegar os pobres para trabalhar para eles”.

Lula pelo Brasil

A viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Minas Gerais, que acontece em outubro, é a segunda etapa do projeto que ainda deve alcançar as demais regiões do Brasil.

Em agosto e setembro, Lula pegou a estrada e percorreu os nove estados nordestinos, visitou inúmeras cidades, ouviu e conversou com o povo.


Por Pedro Sibahi, enviado especial à caravana Lula pelo Brasil em Minas Gerais, para a Agência PT de Notícias