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Há 29 anos: Mais um plano econômico para arrochar o trabalhador

12/06/2018 18:54

Fazer o trabalhador pagar o pato pelos problemas econômicos é prática com longa história no Brasil. O dia 12 de junho marca o aniversário do Plano Bresser. Terceiro plano lançado no governo Sarney, sua principal medida foi o congelamento de preços e salários por três meses. O plano seria o terceiro fracasso e o ministro não chegaria ao final do ano no cargo.

O Brasil vivia a época da hiperinflação e dos planos econômicos. Só no governo Sarney foram quatro planos e duas novas moedas. O primeiro deles, o Plano Cruzado, instituiu o cruzado como moeda e teve enorme apoio popular. Rendeu ao partido do governo, o PMDB, a eleição de 22 dos 23 governos estaduais em disputa naquele ano (no DF venceu o também governista PFL). O que o eleitor não ficou sabendo é que o plano era insustentável e só foi prorrogado até novembro por motivos eleitorais. Em pouco tempo começaram a faltar produtos nos supermercados. O governo chegou a “desapropriar” bois nos pastos para garantir a oferta de carne. Apenas seis dias depois da eleição, Sarney lançava o Cruzado 2, que novamente fracassou e provocou a demissão do ministro da Fazenda, Dilson Funaro.

O novo ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira, apresentou então novo plano destinado a derrubar a inflação. Sua principal medida era o congelamento de preços e salários por três meses e castigou os trabalhadores com a extinção do “gatilho”, medida que garantia aumentos de salários sempre que a inflação chegasse a 20%. A moeda foi desvalorizada em 10% para incentivar as exportações e elevar as divisas, depois da decretação da moratória da dívida externa naquele ano. Em dezembro Bresser Pereira deixou o Ministério da Fazenda com a inflação anual em 363%. Em janeiro seguinte viria o "Plano Verão", com novo congelamento e troca da moeda pelo Cruzado Novo. No final daquele ano a inflação chegaria a 1.972%.

As informações desta matéria são do Memorial da Democracia, o museu virtual dedicado às lutas democráticas do povo brasileiro.

O Centro Sérgio Buarque de Holanda da Fundação Perseu Abramo tem, sob sua guarda, registros de uma das experiências mais importantes da classe trabalhadora na história recente do Brasil, incluindo diversas manifestações contra os planos econômicos da época da hiperinflação. 

O acervo pode ser pesquisado em http://acervo.fpabramo.org.br.