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Indústria: Cortes geraram 2 milhões de desempregados

09/12/2017 09:22

Em 2015, os trabalhadores do Comperj já realizavam manifestações contra o atraso dos pagamentos das indenizações / Tânia Rêgo/ABr

Por Jaqueline Deister
Do Brasil de Fato 

Dois milhões de trabalhadores têm sentido na pele as consequências do processo de desmonte da indústria nacional. Valtenir Oliveira dos Santos faz parte desta estatística. O lixador industrial trabalhou no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, e há um ano e meio foi demitido do emprego. 

Santos era contratado de uma empresa terceirizada da Petrobras e não recebeu a indenização referente a sua demissão até hoje. O caso do lixador industrial é bem similar aos mais de 30 mil trabalhadores que atuavam no Comperj e foram demitidos. O Complexo Petroquímico foi um dos principais impulsionadores de emprego no estado do Rio. 

“Foi um sonho para todos nós, em especial o morador do Rio de Janeiro que tinha a esperança de ficar trabalhando no Comperj. Sofremos este golpe e logo depois tudo desmoronou. Muitos trabalhadores de Itaboraí e São Gonçalo ficaram morando na rua, muitos sofreram depressão, se mataram”, conta  Santos que também integra o Movimento Somos Todos um Só Rio composto por trabalhadores desempregados de todo o estado. 

Lava Jato é uma das responsáveis pela crise econômica 

A crise econômica que tem impactado a indústria nacional encontra a sua origem em uma série de medidas como o ajuste fiscal implementado pelos governos federais, estaduais e municipais; a redução do papel do Estado na economia; as altas taxas de juros; a queda no preço das commodities; a crise política e também a condução da Operação Lava Jato. 

Cloviomar Cararine é técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e assessor da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Ele explica que a consequência da Lava-Jato na economia brasileira tem sido desastrosa. 

“Esse modelo que a Lava-Jato adotou de combate à corrupção atacou diretamente o setor mais dinâmico da economia brasileira, que é o setor de petróleo, que tem a Petrobras como a principal empresa. Junto com isso, a Lava-Jato também atingiu as empresas que prestam serviço para a Petrobras, que tinham relação direta com a companhia, afetando toda uma cadeia produtiva”, destaca o economista. 

De acordo com Cararine, os estados mais afetados com a onda de desemprego na indústria nacional são aqueles que tinham estaleiros. É o caso do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul. 

“No caso da Petrobras diretamente, entre próprios e terceiros, identificamos 260 mil empregos a menos nesse período. Na indústria naval notamos 47 mil empregos a menos”, detalha Cararine. 

A saída apontada pelo pesquisador e também por outros especialistas da área para evitar que o cenário de desemprego chegue a proporções alarmantes como a atual, está em rever a estratégia utilizada pela Justiça brasileira para combater à corrupção. Segundo Cararine, a empresa não pode ter o seu investimento prejudicado por práticas ilegais realizadas por terceiros. Ele aponta que para combater a corrupção é importante identificar o que é lícito e ilícito na relação Estado e setor privado e, a partir daí, tomar as medidas cabíveis para evitar que práticas de corrupção ganhem espaço. 

Edição: Vivian Virissimo