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Ipatinga foi palco de massacre de trabalhadores em 63

22/10/2017 21:00

Do Memorial da Democracia 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita Ipatinga nesta segunda-feira (23), na abertura da caravana por Minas Gerais. A cidade conhecida como "capital do Vale do Aço" tem sua história ligada à da luta sindical e foi palco de um episódio de repressão aos trabalhadores que ficou conhecido como "massacre de Ipatinga".

Memorial da Democracia
Veja mais fotos e informações sobre esse e mais de 900 episódios da luta democrática do povo brasileiro em memorialdademocracia.com.br. 

Na manhã de 7 de outubro de 1963, grupos armados com metralhadoras, fuzis e bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral abriram fogo contra centenas de operários e manifestantes que se aglomeravam na entrada da Usiminas. 

Estavam em curso as negociações pelo reajuste salarial da usina, e o clima vinha tenso entre trabalhadores e o corpo de vigilância da empresa. As hostilidades cresceram no dia anterior ao massacre. Na tarde de 6 de outubro, após uma assembleia de trabalhadores, os vigilantes da empresa começaram a fazer uma revista nos operários que chegavam para a troca de turno. A confusão teria tomado maiores proporções quando o trabalhador Odir Rodrigues reagiu e foi espancado pelos vigilantes. A polícia logo apareceu, com o Regimento da Cavalaria Militar e uma viatura. Os trabalhadores, revoltados, enfrentaram os militares noite adentro, com armas improvisadas. Várias pessoas se feriram, mas a confusão arrefeceu e os envolvidos se dispersaram na madrugada.

Foi então que, na manhã do dia 7, os mesmos operários que foram perseguidos se dirigiram à entrada da usina, muitos deles feridos e exaustos após os conflitos da madrugada, com o objetivo de sensibilizar os companheiros sobre o episódio, para que fosse organizada uma paralisação de protesto, exigindo a libertação dos operários ainda presos.

A Polícia Militar, mais uma vez, marcou presença — mas dessa vez com violência muito maior, atirando contra os trabalhadores e marcando o terrível episódio que entraria para a história como o “massacre de Ipatinga”.

Os trabalhadores e a população de Ipatinga voltariam a se manifestar no dia seguinte, depredando a cadeia pública, incendiando veículos e promovendo um comício em protesto contra a violência policial.

Os policiais envolvidos no episódio seriam detidos por 30 dias, e alguns deles, afastados da corporação. Depois do golpe militar de abril de 1964, porém, as punições seriam revertidas, e os trabalhadores envolvidos seriam perseguidos, presos e torturados.

 Pelo menos 30 pessoas foram assassinadas por disparos a curta distância, inclusive uma criança de três meses, embora a contabilidade oficial só registre oito mortes. Centenas ficam feridas. 

Os trabalhadores e a população de Ipatinga voltariam a se manifestar no dia seguinte, depredando a cadeia pública, incendiando veículos e promovendo um comício em protesto contra a violência policial.

Os policiais envolvidos no episódio seriam detidos por 30 dias, e alguns deles, afastados da corporação. Depois do golpe militar de abril de 1964, porém, as punições seriam revertidas, e os trabalhadores envolvidos seriam perseguidos, presos e torturados.

Novo Sindicalismo
Lula esteve em Ipatinga durante a greve de 1979, quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e Ipatinga, sede da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), era um polo importante da luta dos trabalhadores.

Na década de 1980, o movimento sindical despontou novamente. Desta vez, não só dos trabalhadores da siderúrgica, mas de bancários, professores, químicos, entre outras categorias.

Em 1985, lideranças sindicais ligadas ao novo sindicalismo participaram da disputa do sindicato dos metalúrgicos como chapa de oposição. Por conta disso, o líder Chico Ferramenta e outros companheiros foram demitidos da Usiminas. Sua liderança, no entanto, se fortaleceu com o episódio, e o metalúrgico tornou-se o primeiro deputado estadual da região, em 1986. Depois, em 1989, tornou-se prefeito.

Lula pelo Brasil

A viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Minas Gerais, que acontece em outubro, é a segunda etapa do projeto que ainda deve alcançar as demais regiões do Brasil.

Em agosto e setembro, Lula pegou a estrada e percorreu os nove estados nordestinos, visitou inúmeras cidades, ouviu e conversou com o povo.

Da Redação da Agência PT de Notícias