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Lula: meu crime foi gerar 20 milhões de empregos

28/03/2018 10:17

Lula em Quedas do Iguaçu. Foto: Ricardo Stuckert

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Do Lula.com.br 

Mesmo sob chuva e com um grande atraso causado por fascistas que seguem tentando impedir a caravana de Lula pelo Brasil na região sul do país, milhares de pessoas não arredaram o pé de Quedas do Iguaçu, no Paraná, para receber o ex-presidente.

Ele se encontrou com o povo acompanhado da presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, do presidente do PT do Paraná, Doutor Rosinha, e outras lideranças.

Recepcionado por índios das tribos Guarani e Caingangues, Lula agradeceu pelo carinho das pessoas que ficaram a manhã inteira debaixo de chuva e falou dos desafios para chegar na cidade. “Vocês já devem ter ouvido as dificuldades que passamos para chegar aqui. Eu não sou de reclamar, porque se tem alguém acostumado a viajar nesse país sou eu”.

“Só na primeira caravana eu viajei 90 mil quilômetros de trem, barco e ônibus. Eu nunca tinha assistido uma selvageria como estamos assistindo agora, de um grupo de pessoas que nos esperam em cada trevo com pau, pedra, rojão e bomba, jogando de forma irresponsável no ônibus, para evitar que a caravana chegue”.

“Minha primeira surpresa foi em Bagé, e eu escolhi Bagé porque eu fiz a Universidade dos Pampas, e eu queria visitar a universidade porque quando fui lançá-la conseguimos colocar 50 mil pessoas na ruas de tão feliz que estava a cidade. Eu queria visitar um laboratório e quando cheguei em Bagé tinha caminhões e tratores tapando a estrada para que a gente não pudesse visitar a universidade. E tinha o Ministério Público dizendo ao reitor que eu não podia ir a universidade pq era política. Ele deveria dizer que política era fazer a universidade”.

Lula relatou a perseguição que se seguiu em outras cidades, como São Borja, onde foi homenagear Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, lembrando o desmonte da legislação trabalhista praticado por Temer. Ele também citou colegas do PT que ficaram severamente feridos por conta de pedradas.

Ricardo Stuckert

Guarani e Caingangues recebem Lula em Quedas do Iguaçu

“Essa gente que fala em paz, que anda embrulhada em bandeira brasileira, essa gente que não respeita o povo brasileiro. Eu digo isso porque viajo esse país há muitos anos e nunca vi uma barbárie como estamos vendo. Uma coisa é um partido fazer protesto contra outro partido. Já vi protesto contra o Papa na Alemanha. O que não se aceita é a violência, é as pessoas serem bárbaros no trato de uma questão política”.

“Como se não bastasse isso, que é uma novidade na minha vida, tem um processo contra mim, no qual já fui condenado. Fico pensando que estou louco, ou quem me condenou está louco. Inventaram que eu tinha um apartamento no Guarujá”, afirmou Lula, explicando o processo mentiroso da lava Jato, que incluiu um falso testemunho do presidente da OAS, Leo Pinheiro, desmentido depois pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

“Eles estão tentando criar um processo de mentira para evitar que o Lula seja candidato à Presidência da República. Seria muito mais fácil disputar as eleições e ganharem. Eu voltaria para casa como voltei depois de perder para o Collor”.

“O que não aceito é mentira. Eu sou filho de uma mãe analfabeta, mas aprendi a ter caráter e honra, por isso vou enfrentá-los. Já provei minha inocência e quero que provem minha culpa. Quero que numa instância superior julguem o mérito do processo e se eu cometi um crime, avisem toda a nação”, afirmou o ex-presidente.

Lula afirmou que “eles tem medo que eu ganhe as eleições no primeiro turno em outubro de 2017. Eles sabem que sabemos cuidar do povo trabalhador, que sabemos cuidar do pequeno produtor rural. Sabem a importância que a gente dá para o pequeno proprietário que tem cinco vaquinhas, três hectares. Essa gente que produz 70% da comida que vai na mesa do povo trabalhador, por isso essas pessoas tem que ser respeitadas. Não é o grande produtor de soja que produz galinha caipira”.

“Olha a sem vergonhice. Eles compram ovo para jogar no ônibus, quando a empregada deles muitas vezes não tem um ovo para comer. Essa gente parece que não quer o bem do Brasil. Essa gente sabe que quando fui presidente da república, tivemos o mais importante avanço da Reforma Agrária nesse país e a melhor política para financiar a produção do pequeno agricultor. Quem não lembra o que foi o Luz para todos, o Programa de Aquisição de Alimentos, o Mais Alimentos, o Pronaf.”

“O que eles não admitem é a nossa relação. Eu fico perguntando o que essa gente quer do país. Quando nós governamos, tudo melhorou nesse país.”

Lula criticou a falta de uma política de preço mínimo que garanta ao pequeno produtor de leite o pagamento justo que cubra os custos de produção, para incentivar a população a se manter no campo.

“Fica muito melhor manter uma pessoa trabalhando dignamente do que permitir que uma família vá morar em uma favela do Rio de Janeiro, de São Paulo, ou de Curitiba, porque nem programa de habitação eles tem.”

“Temos que voltar a criar o Ministério do Desenvolvimento Agrário, vamos voltar a criar o Ministério da Pesca. Eles sabem que vamos resolver rapidamente a questão dos indígenas, porque os índios são tratados como invasores quando na verdade nós que invadimos as terras deles. Também vamos resolver o problema da legalização das terras dos quilombolas.”

“Chega do povo pobre pagar pelo que não fez, chega de penalizar o trabalhador. O Lula cometeu um crime sim, geramos 20 milhões de empregos de carteira assinada. Meu crime foi que todos os trabalhadores tiveram aumento de salário. O Lula cometeu um crime bárbaro, ousou criar o Prouni, o Fies, e colocar filho de trabalhador rural, de empregada, para fazer universidade e escola técnica.”

“Vamos continuar cometendo esse tipo de crime, mais terra, mais escola, mais dignidade e mais soberania”.

“Já tenho 72 anos, já fui considerado o melhor presidente da república desse país. Eu fui e eu estou querendo voltar porque não me conformo com a falta de respeito que se tem com o povo brasileiro. Acho que nosso povo é extraordinário, basta dar oportunidade que esse povo trabalha”.

“Acho que ao invés de colocar o exército nas favelas, se levássemos o Estado com culturaeducação, ninguém ia roubar celular, tênis, jaqueta. Temos que levar o Estado para os lugares mais pobres, porque quando o Estado está presente cumprindo suas funções, não temos violência”.

“Vamos ter paciência porque muita gente não gosta de nós, não tem amor no coração, tem ódio. Gente que ficou nervosa quando a gente legalizou empregada doméstica. Ficou nervoso quando criamos o Mais Alimentos e o pequeno produtor podia comprar um tratorzinho”.

“Tem gente que fica com inveja do progresso dos mais pobres, que fica com raiva quando a gente aumenta osalário mínimo”, afirmou Lula.

“A classe média alta fica com raiva quando coloca um perfume, coloca vestido novo e vai jantar, e na segunda-feira a empregada dela vem trabalhar com o mesmo perfume e ela pergunta como a pobre comprou o perfume. Eu digo que ela comprou o perfume em 10 prestações e ela tem o direito de ficar cheirosa, de ficar bonita. Nascemos pra passar fome, pra ganhar pouco? Não!”

Citando um bilhete que recebeu de uma jovens anos antes, Lula afirmou que “os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas não poderão deter a chegada da primavera, e a nossa caravana é a primavera. Nossa caravana é um sonho. A caravana é a prova de que a gente pode recuperar esse país”.

Lula agradeceu aos sem-terra “por nunca desistir da luta, porque só a luta poderá garantir que o amanhã será melhor”.

A presidenta do PT, Gleisi Hoffmann lembrou que em abril de 2016 esteve em Quedas do Iguaçu em homenagem a dois companheiros que morreram lutando contra a polícia e o latifúndio.”Graças à resistência que estão aqui, a terra é de vocês graças a luta que fizeram˜, afirmou Gleisi.

“A caravana que fazemos é da paz, uma caravana democrática, para falar com o povo. O presidente Lula quer ouvir. Eu me pergunto o que faz um homem que saiu do governo com 87% de aprovação com ótimo e bom, esse presidente que hoje está na frente das pesquisas, não precisaria sair para falar com o povo”.

“Ele podia ficar em casa, mas se fosse assim não seria o Lula. O Lula é diferente porque ele vai falar com o povo. Mesmo com essas milícias, com o ódio da direita. Ele vem porque tem compromisso com os agricultores, com os sem-terra, com o povo do país”.

Gleisi também agradeceu à militância do MST pela defesa aguerrida que têm feito do presidente Lula. “Não adianta eles quererem nos impedir, colocar os tratores na estrada. Aliás, muitos desses tratores financiados pelo governo federal quando Lula era presidente. Não vão conseguir nos impedir porque temos causa, temos a força do povo, e não temos medo”.

O presidente do PT Paraná, Zeca Dirceu, falou sobre a perseguição a Lula por conta da defesa dos direitos dos mais pobres.

“Por que perseguem Lula, vocês mais que ninguém sabem disso. Vocês sabem por tudo que passaram. E o que foi o governo Lula para vocês, o que foi construído de dignidade, seja nas políticas agrárias, seja nas políticas voltadas para o pequeno agricultor”.

“Vocês sabem que no governo do Lula houve distribuição de renda. Vocês sabem que as crianças passaram a ser tratadas com dignidade e diminuímos o índice de mortalidade infantil pela metade”.

Rosinha afirmou que Lula é um perseguido como muitos sem-terra também são. “Porque luta por nossos direitos, porque somos parceiros de caminhar lado a lado. Os ricos desse país não suportam, não querem que Lula volte, querem voltar com a dominação”.

“Aqui vcs sabem a importância da cota para escolas públicas, da cota para negros e negras. Temos que lembrar que até 1885 as pessoas ocupavam a terra e pediam o título para o Império. Como havia a luta para a libertação dos escravos, a lei foi mudada, e primeiro tinha que pedir o título da terra e depois ocupar a terra, então, quando houve a chamada libertação dos escravos, liberta, mas continua mais escravo porque não tinha terra, não tinham aonde ir”.

“A lei de cotas é uma reparação histórica para compensar um povo que foi massacrado. É por isso que não querem que Lula volte. A reforma trabalhista é para massacrar os negros e as negras”, afirmou Rosinha.

“Nós aqui sabemos a importância de ter Lula concorrendo à Presidência da República. Quem vai julgar Lula não é esse pessoal de terninhos engomados que vive entre Estados Unidos e Brasil, quem tem que julgar Lula é o povo nessa praça, é o povo brasileiro, e não esses engomadinhos”.

Lula pelo Brasil

A viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos estados do Sul do país, em março, é a quarta etapa de um projeto que deve alcançar todas as regiões do país nos meses seguintes. No segundo semestre de 2017, Lula percorreu todos os estados do nordeste, o norte de Minas Gerais, o Espírito Santo e o Rio de Janeiro.

O projeto Lula Pelo Brasil é uma iniciativa do PT com o objetivo de perscrutar a realidade brasileira, no contexto das grandes transformações pelas quais o país passou nos governos do PT e o deliberado desmonte dos programas e políticas públicas de desenvolvimento e inclusão social, que vem sendo operado pelo governo golpista.