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“Estão querendo comparar o governo do Lula de 2010 com o governo da Dilma de 2014, mas eles não devem ser comparados, porque são um projeto só”, afirma Lula em MS

27/06/2014 22:50

Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula

“Estão querendo comparar o governo do Lula de 2010, com o governo da Dilma de 2014, mas eles não devem ser comparados, porque são um projeto só. Temos que comparar o que era esse país antes e o que é esse país hoje”, assim o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu seu discurso na Convenção Estadual do PT do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, nesta sexta-feira (27).

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A Convenção homologou o senador Delcídio do Amaral como candidato ao governo do estado e Ricardo Ayache, candidato ao Senado, respectivamente.

"Delcídio, eu acho que nós temos que mostrar todos os dias o que fizemos neste estado. O povo do Mato Grosso do Sul pode não gostar do Lula por qualquer motivo, menos por ser um presidente que não cuidou desse povo como ele merece. Estamos apenas devolvendo para o Mato Grosso do Sul a contribuição que esse estado dá para o nosso país. Eu não medirei nenhum esforço para andar esse estado e fazer de novo um governo do PT neste estado e tratar o povo como ele merece", frisou Lula.

O ex-presidente afirmou ainda que o que está em jogo nesta eleição não é uma disputa pessoal entre candidatos, mas sim, uma disputa ideológica. “Temos uma disputa de projeto nessa eleição. Não é o companheiro Delcídio e a companheira Dilma contra outros candidatos. Nós temos em disputa aqueles que querem que o Brasil volte a ser governado como era antes de eu chegar ao governo em 2002 e aqueles que querem continuar a revolução política, educacional, econômica e social neste país”.

Bastante emocionado, Delcídio afirmou que pretende criar um governo de oportunidades. “Queremos diversificação na economia, descentralização da saúde, garantir a segurança das nossas famílias, para promover o desenvolvimento de todo estado”.

Delcídio lembrou que nunca um governo foi tão presente no Mato Grosso do Sul. “Nunca um governo foi tão parceiro do nosso estado como os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma, principalmente garantindo a inclusão social do nosso povo”. Lula completou: “Quando chegamos ao governo a gente ia falar de educação, saúde, alimentação, era gasto. E nós colocamos que dinheiro para pobre também é investimento”.

Leia a transcrição do discurso:
LULA NA CONVENÇÃO ESTADUAL DO PT NO MATO GROSSO DO SUL

Eu vou apenas aproveitar esta oportunidade, que eu estava ouvindo o discurso do companheiro Delcídio. Eu não consegui ouvir os outros discursos, então eu vou tentar não repetir aquilo que vocês já [inaudível]. A impressão que eu tenho é que esse ato de lançamento da sua campanha está sendo mandado diretamente, via internet, para todas as pessoas que seguem a política no Estado do Mato Grosso do Sul e no Brasil. Até em Garanhuns as pessoas estão ouvindo este ato aqui.
Eu queria me dirigir a vocês pra fazer alguns comentários. A primeira coisas é que [inaudível] de projeto dessa eleição de 2014. Não é o companheiro Delcídio contra outro candidato apenas. Não é a companheira Dilma contra outros candidatos apenas. Se fosse a disputa pessoal entre duas pessoas, nós não teríamos muitos problemas. O problema é que nós temos em disputa, nessas eleições, um projeto. Aqueles que querem que o Brasil volte a ser governado como era governado até 2002, antes de eu chegar na Presidência da República, e aqueles que querem dar continuidade à revolução política, cultural, educacional e econômica que nós fizemos neste país. E eu tenho consciência... [inaudível] Eu tenho que tomar água toda hora, eu to com a minha garganta meio estragada. É porque, depois do câncer, a minha garganta seca com muita facilidade, e eu tenho que tomar água. O tempo que eu era sindicalista eu tomava, às 4 horas da manhã, [inaudível] na porta de fábrica, e a minha garganta não doía, mas agora é água mesmo.
Eu quero dar continuidade, dizendo pra vocês que tem algumas pessoas que questiona o nosso governo e tentam comparar o governo da companheira Dilma de 2014 com o governo do Lula de 2010. O governo da Dilma não tem que ser comparado com o governo Lula, porque o projeto é um só. O governo Dilma e o governo Lula tem que ser comparado com o Brasil que a gente tinha antes de 2003, quando nós chegamos à Presidência da República. O que que era este país e o que virou este país em 12 anos?
E eu queria dizer, [inaudível], pra juventude desse estado querido do Mato Grosso do Sul, [inaudível] pra vocês terem em conta do que eu estou falando. Trinta e oito milhões de brasileiros e brasileiras nem eram nascidos ainda em 1o de janeiro de 2003, quando eu tomei posse; 38 milhões de brasileiros não eram nascidos quando eu tomei posse, em janeiro de 2003. Trinta e quatro milhões tinham, no máximo, até 10 anos de idade quando eu tomei posse em 2003. Quarenta e um milhões de brasileiros tinham, no máximo, 12 anos de idade e praticamente 23 milhões de jovens que tinham entre 4 e 11 anos não sabem aquilo que nós vivemos no nosso governo. Portanto, são pessoas, são pessoas que simplesmente desconhecem aquilo que nós vivemos no Brasil. E muitas vezes, a informação que eles têm é apenas a informação diária na televisão e a informação diária no jornal, que nem sempre estão dizendo com a verdade e muitas vezes contam mentiras, contam coisas [inaudível].
Ora, e porque que eu estou dizendo essas coisas? Eu estou dizendo essas coisas, porque, quando nós chegamos no poder, em 2003, o Brasil era vice-campeão mundial de desemprego. Quando eu cheguei no governo, o Brasil era vice-campeão mundial de desemprego e eles destruíam, em média, por ano, 1 milhão de postos de trabalho deste país. Preste atenção: eles destruíam, em média, por ano, 1 milhão de postos de trabalho neste país. [inaudível]. E que que eles tanto odeiam o PT? É que, ao invés de destruir 1 milhão de empregos por ano, nós ganhamos, em 20 anos, 20 milhões de postos de trabalho com carteira assinada neste país. E eles não se conformam como é que nós conseguimos fazer, em 12 anos, o que eles não conseguiram fazer em muito tempo.
[inaudível] O nosso governo financiou a construção e aquisição de 2 milhões 510 mil casas e apartamentos pelo nosso querido Sistema Financeiro de Habitação. No governo deles, só foi financiado 315 em oito anos e nós financiamos 2 milhões 510 contra 315. Mais importante do que isso, é que o Programa Minha Casa, até três salários mínimos, o Programa Minha Casa Minha Vida, até três salários mínimos, financia praticamente 100% é subsidiado da casa, porque, se a gente for colocar subsídio, o pobre não tinha direito de ter casa nesse país. Mais importante, mais importante: por causa dos trabalhadores teve carteira assinada, o salário melhorou e os trabalhadores passaram a ter acesso a crédito neste país. Trabalhador não entrava em banco, a não ser pra fazer a limpeza do banco, porque pobre não podia fazer empréstimo neste país. E nós criamos o crédito consignado, dando como garantia para o pobre a sua folha de pagamento. E hoje, 20% de todo o crédito pessoal deste país é feito pelos trabalhadores através do crédito consignado [inaudível]. [inaudível] é que, quando eu cheguei na Presidência da República, o Brasil inteiro teve crédito nos bancos públicos e privados. O Brasil tinha [inaudível]. O Brasil, em 2002, tinha 380 bilhões de reais disponibilizados para crédito, para grandes, para pequenos e pra [inaudível] em bancos públicos e privados. Hoje, nós temos 2 trilhões e 700 bilhões de reais disponibilizados pra crédito neste país.
Pois bem, eles... eles ficam irritados [inaudível]. E o que é que a juventude brasileira [inaudível]. Vejam: Cristóvão Colombo, Cristóvão Colombo chegou em Santo domingo, na República Dominicana, em 1492. Em 1507, portanto 15 anos depois, que Cristóvão Colombo visitou Santo Domingo, Santo Domingo já tinha uma universidade. O Peru teve a primeira universidade em 1550. A Bolívia teve a primeira universidade em 1624. E muitos países africanos que tiveram universidade, teve antes que o Brasil. E o que que incomoda uma parte das elites [inaudível] deste país? É que o Brasil só foi ter a sua primeira universidade em 1930. Universidade enquanto universidade. Nós tivemos a faculdade quando Dom João VI veio ao Brasil, em 1808. Mas, universidade como universidade, só em 1930 [inaudível]. O Peru teve em 1550, Santo domingo em 1507, a Bolívia em 1624 e o Brasil, apenas em 1930, praticamente 450 anos depois. Por que que eu to dizendo isso? É porque, de vez em quando, a gente vê matéria nos jornais, de que, no Brasil, o nosso jovem e as próprias crianças estão defasadas em relação a outros países da América do Sul e América Latina e é verdade. É porque nós começamos a fazer universidade quase 450 anos depois deles. Mas, o que mais machuca eles é que foi exatamente um presidente da República sem diploma universitário que é o presidente que mais fez universidade na história deste país. É exatamente, é exatamente um presidente sindicalista sem diploma universitário, um vice, empresário, sem diploma universitário [inaudível], e agora nós temos a presidenta Dilma, essa, sim, já tem diploma. Ou seja, nós fizemos, em 12 anos, em 12 anos (eu to falando aqui sobretudo pra nossa juventude), em 12 anos nós fizemos com que esse país tivesse mais estudante na universidade do que eles fizeram em um século.
Eu vou dar um exemplo: quando nós chegamos no governo, em 2003, o Brasil tinha 3 milhões e 500 mil jovens na universidade. Ou seja, significa que, durante um século, a gente conseguiu construir 3 milhões e meio de vagas. Nós, em apenas 12 anos, fizemos [inaudível], dobramos [inaudível] a 7 milhões de jovens brasileiros na universidade neste país. E o que é mais grave é que nós criamos uma coisa chamada Pró-Uni e tenho dito, tenho dito, pela primeira vez, que o filho de um trabalhador [inaudível] pudesse [inaudível], permitiu que uma filha de uma empregada doméstica pudesse ser médica, permitiu que o filho de um pedreiro pudesse ser engenheiro, permitiu que o filho de um jardineiro de cemitério, pudesse ser diplomado e permitiu que tantos e tantos jovens pudessem imaginar que ia chegar a uma universidade neste país. E o Pró-Uni já tem hoje 1 milhão e meio de alunos pobres da periferia fazendo curso superior neste país.
Mas, não é apenas isso. O que mais incomoda é que nós fizemos, além de 18 universidades, 365 instituições universitárias, levando faculdades para o interior deste país, para que o jovem não tivesse que sair da sua cidade do interior para estudar. Ele estuda na própria região. Mas, tem outra coisa que incomoda eles, é que, em 1998, eles fizeram uma lei, e quem mandou a lei para o Congresso Nacional foi o ministro Paulo Renato, que já morreu, e essa lei proibia o governo federal a ter responsabilidade pelas escolas técnicas nesse país. [inaudível] proibia. O governo federal não tinha mais responsabilidade com as escolas técnicas. E a primeira escola técnica feita no Brasil, ela foi feita em 1909, pelo presidente Nilo Peçanha, e foi feita na cidade de Campos, no Rio de Janeiro. A primeira escola técnica foi feita em 1909. Em 100 anos, eles fizeram 140. Nós, em 12 anos, já fizemos 365 [inaudível]. Ou seja, em apenas 12 anos, nós fizemos duas vezes e meia o que eles fizeram em um século. Em 12 anos, nós fizemos [inaudível] e nós fizemos do melhor, duas vezes e meia o que eles fizeram em um século. E isso incomoda? Incomoda, porque eles ficam perguntando um pro outro: “Como é que pode esse [inaudível], metalúrgico, torneiro mecânico, que não teve dinheiro na mão dele conseguir fazer mais escolas do que eu?” A resposta é simples: é porque eu sou brasileiro e não desisto nunca. Eu tenho a necessidade que vocês não têm. [inaudível].
Quando nós chegamos ao governo, o Zeca era governador aqui, a gente ia falar em educação, “não pode, porque é gasto”. A gente ia falar em Bolsa-Família, “não pode, porque é gasto”. E eu dizia: “Ué, quando é pra dar dinheiro pra empresário, vocês [inaudível]. Eu penso na qualidade de vida das pessoas, na melhoria da saúde das pessoas. [inaudível] as proteínas e as calorias necessárias pra [inaudível] fortes, robustas, bonitas como eu. [inaudível].
Companheiros e companheiras, vejam: o que nós fizemos em 12 anos, na educação deste país, foi uma revolução. Agora, nós sabemos que ainda é pouco, que nós precisamos fazer muito mais. [inaudível]. [inaudível] investir mais em ciência, em tecnologia [inaudível]. Nós fizemos uma revolução, lembrando [inaudível] para o Nordeste do país [inaudível] Rio de Janeiro e Minas Gerais têm tudo que merece, mas [inaudível].
Então, [inaudível]. Quando eles querem comparar a Dilma comigo, é porque, em 2010 [inaudível]. [inaudível]. Até hoje, os Estados Unidos [inaudível], e o país que ficou com a política mais estável é exatamente o Brasil, porque a gente tem a inflação [inaudível], gerando emprego e aumentando o salário [inaudível]. [inaudível] Eu uma vez fiquei um ano e seis meses desempregado. A carteira profissional minha desapareceu de tanto que eu carregava ela no bolso, a bichinha suou tanto, que [inaudível]. Então, o desemprego é uma desgraça pro povo trabalhador, [inaudível].
Eu, de vez em quando, fico assistindo televisão [inaudível]. E quem não gosta de política [inaudível]. E, se quem gosta é sempre a minoria, significa que a maioria [inaudível]. Se você desconfia, ainda assim, pelo amor de Deus, não desista da política, porque um político decente, o político honesto que você quer [inaudível]. [inaudível] uma coisa justa e decente neste país [inaudível]. Eu, não sou advogado, [inaudível] pagando por todos os presidentes [inaudível]. A primeira medida que eles tomaram foi a extinção do decreto 1.376 de 1995, feito pelo presidente Itamar Franco. Esse decreto criou a Comissão Especial de Investigação e eles extinguiram em 19... [inaudível].
Pois bem, além disso, eles nomearam um procurador da República chamado engavetador. E por que engavetador? Porque, eu não vou citar o nome, porque não fica bem [inaudível]. Mas a verdade é que nenhuma denúncia grave nesse país foi investigada, a começar pela compra de voto para aprovar a reeleição em 1996. Não houve punição e apuração de nenhuma denúncia contra ministro. E no nosso governo, no nosso governo, quem esteve lá comigo sabe, que nós escancaramos. Aprovamos a lei da transparência, criamos um portal da transparência, que vocês podem acompanhar pela internet cada centavo que o governo gasta e paga todo santo dia. Cada um de vocês pode pedir informação pro governo a hora que vocês quiserem. Pra vigiar a Copa do Mundo, criou-se um ministro do Tribunal de Contas só pra investigar os estádios, e a Controladoria Geral da República pra ver isso. E até agora não houve nenhuma denúncia.
Portanto, Delcídio, não tenha medo. Andar de cabeça erguida é uma conquista que vale muito e é o mais importante legado que a minha mãe deixou. Não perca nunca o direito de andar de cabeça erguida. Foi assim que eu nasci, cresci, criei meus filhos, virei sindicalista, virei presidente da República. E, portanto, eu quero, meus companheiros e companheiras, dizer pra vocês: até outro dia, não ia ter copa do Mundo neste país, não ia ter estádio, e hoje nós temos novos estádios, mais bonitos do que qualquer país do mundo. Ah, não ia ter transporte, e não teve muito problema de transporte para a Copa do Mundo. Obviamente que a Copa do Mundo não existiu pra a Inglaterra, porque já voltou; não existiu pra Espanha, porque já voltou, e não vai existir. Mas, no Brasil, ela tá existindo e eles que se preparem, porque nós vamos ganhar a Copa do Mundo agora.
Bem, companheiros e companheiras, eu queria agora falar pro Delcídio e pro nosso senador Ricardo. Delcídio, primeiro, eu acho que nós temos que mostrar todo santo dia o que que nós fizemos pra este estado nos últimos 12 anos. Eles podem não gostar do Lula por outras razões. Os grandes empresários do agronegócio, os trabalhadores sem terra, os indígenas podem não gostar do Lula por qualquer outro assunto, mas não podem dizer que não gostam do Lula porque, em algum momento da história, o Lula deixou de tratá-los como brasileiros responsáveis, e tratá-los com respeito e carinho. Podem dizer da Dilma o que quiser, mas não podem dizer que poucos presidentes da história deste país puseram no Mato Grosso do Sul a quantidade de recursos que nós pusemos nesses 12 anos. Eu sou capaz de dizer, sem querer adivinhar, que essa avenida bonita toda que a gente vê foi feita com dinheiro do governo federal. Aliás, sou capaz de dizer que muitos postes novos que têm por aí foram feitos com dinheiro do governo federal. E não fizemos favor, não. Apenas estamos devolvendo ao Estado do Mato Grosso do Sul a contribuição que esse estado dá para o crescimento e para o desenvolvimento do nosso país.
Por isso, companheiro Delcídio e companheiro Ayache, eu não sei quantos votos eu posso transferir aqui. Eu não sei quantas pessoas votariam em um candidato indicado por mim. Eu quero dizer pra vocês que, mesmo que seja apenas um votos, eu não medirei nenhum esforço [inaudível] pra vir aqui quantas vezes for necessário pra andar com vocês nesse estado pra gente ganhar as eleições e voltar a ter um governador competente, comprometido com o povo mais humilde desse estado. Porque a verdade é que nós aprendemos a governar para todos. Nós governamos pra todos sem distinção.
Eu digo que, no meu governo, banqueiro ganhou muito dinheiro, fazendeiro ganhou muito dinheiro, [inaudível] ganhou muito dinheiro. Mas é a primeira vez na história deste país que a classe pobre tem renda muito maior que a classe rica. Enquanto a sociedade brasileira teve uma renda média acrescida em 35%, os pobres tiveram um acréscimo de 70% na sua renda. E nós não fizemos nenhum milagre. Apenas fizemos uma opção: o pobre tendo o dinheiro no bolso e, virando consumidor, quem ganha é a classe média, é o pequeno empresário, é o grande empresário. Quem ganha é a segurança, porque ninguém quer mais pobre vivendo de catar lixo na lata de lixo nas ruas. Nós queremos é pobre andando no shopping e comprando o que comer.
Eu sei que tem muita gente incomodada. Tem muita gente incomodada, porque esse país tinha uma frota de automóvel de 26 milhões e agora tem uma frota de 50 milhões de automóveis. Eu sei que incomoda. Tem gente que fala: “Esse Lula foi facilitar a vida e agora o pobre tem carro. É demais, a rua tá cheia demais”. Mas, o que incomoda não é só o carro. O que incomoda é que, quando nós chegamos no governo, tinha 37 milhões de passageiros que andavam de avião e agora são 113 milhões de brasileiros que andam de avião. Incomoda, incomoda aquelas pessoas que andavam com o avião vazio, podia sentar e até esticar a perna no banco. Agora tem que se encolher, porque, do lado deles, tá a sua empregada doméstica, tá o seu [inaudível].
Afinal de contas, só vale a pena você governar [inaudível], só vale a pena vocês governarem [inaudível], porque pro rico, qualquer um sabe governar. Agora, governar para todos, mas privilegiar a parte mais pobre da população, é [inaudível] do seu grande desafio. E aí, não é só ter anos de escolaridade. É ter coração, porque a gente não governa só com a cabeça, a gente governa com a cabeça guiando o coração, governando pra quem [inaudível]. Por isso é que eu quero, Delcídio, e por isso que eu quero, Ayache, eu quero que se preparem [ÁUDIO INTERROMPIDO].