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Médicos do MST cuidaram da saúde de Lula durante caravana

18/09/2017 09:52

Médicos de Sergipe oferecem estetoscópio e jaleco em homenagem a Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Por Julia Dolce
Do Brasil de Fato

A Caravana Lula pelo Brasil no dia 5 de setembro, após passar por quase 60 cidades dos nove estados nordestinos, ao longo dos últimos 20 dias. No ato de encerramento realizado ontem em São Luís do Maranhão, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva destacou sua alegria pelo êxito da Caravana, recebida por centenas de milhares de pessoas ao longo dos mais de 4000 quilômetros percorridos. Entre todos os militantes, comunicadores, seguranças e coordenadores por trás do sucesso da jornada, estavam médicos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

Ao todo, 11 médicos do MST se revezaram durante os 20 dias da Caravana, com o objetivo de cuidar da saúde do ex-presidente Lula, de sua comitiva, e do povo que o recebeu nas atividades da Caravana. Segundo uma das médicas que acompanhou a Caravana, Andreia Cristina Campigotto, médica da família e da comunidade, professora universitária, e filha de assentados do MST no estado do Rio Grande do Sul, a experiência foi importante para projetar uma imagem positiva do movimento para além da luta pela reforma agrária.

“É um cuidado muito importante para nós, enquanto médicos populares, para a gente continuar debatendo sobre o que é a medicina popular, um médico do povo. Esse diálogo da Caravana foi justamente isso: escutar a voz e o coração do povo. Isso projeta o MST inclusive para dentro da Caravana, para pessoas dentro da comitiva, quando escutam que a médica que acompanha o presidente é Sem-terra. Isso acaba propagandeando o que de fato o movimento faz na sua essência e história, que não é só debater e lutar pela reforma agrária mas conscientizar e organizar um povo para mudar a realidade do mundo, para termos de fato um país justo, democrático e livre”, explicou.

Andreia foi a primeira pessoa nascida no assentamento de Nova Ronda Alta, no Rio Grande do Sul. Batizada com terra em vez de água, para simbolizar a luta do movimento, ela continuou militando desde então, e foi beneficiada pelo programa cubano da Escola Latino-americana de Medicina, em 2005. O programa, criado por Fidel Castro após um furacão que matou milhares de pessoas da América Central em 1998, teve o objetivo de formar médicos por toda a América Latina, em acordo com movimentos populares. “A ideia era formar médicos para a classe trabalhadora. Acho que nesses mais de 15 anos, o MST conseguiu cumprir com sua tarefa de formar médicos e médicas de consciência com o Brasil e o mundo”, disse.

Jediane Rodrigues Moura, médica que acompanhou a Caravana pelo estado de Alagoas, afirma que a oportunidade de estudar medicina em Cuba mudou completamente sua vida. “Por ser oriunda da pobreza, terminei meus estudos sem expectativa nenhuma de cursar algo, muito menos na área da saúde. Mas sempre tive o sonho de ser médica para ajudar as pessoas. Quando recebi a proposta de estudar em Cuba não pensei duas vezes, nem imaginei quão longe seria, embarquei para Cuba com uma turma de 80 brasileiros cheios de sonhos e massacrados por uma sociedade que não nos deu oportunidade. Aprendi tb que tudo o que aprendi em Cuba, eu retornaria para a sociedade mostrando que o Sistema Único de Saúde (SUS) vale a pena”, pontuou.

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Jediane disse que a experiência de ter ficado responsável pela saúde de Lula e dos integrantes da Caravana foi agregadora. “Eu vi de perto e tive um abraço daquele que proporcionou saúde, educação, deu voz aos pobres. Foi uma honra poder contribuir um pouco com tudo isso, mas meu desejo era pedir para deixarem ele descansar, tomar uma água, que no dia seguinte ele continuava”, brincou. Aos 71 anos, a energia e força do ex-presidente ao ser “engolido” por multidões em até 10 cidades por dia, impressionou as médicas.

No entanto, as principais ocorrências que os médicos do MST tiveram que atender ao longo da Caravana, segundo Andreia, foram dos nordestinos, causadas pela emoção ao encontrar o ex-presidente. “No Ceará foi onde mais atendemos ocorrências da população. É o sol quente, casos relacionados ao sistema nervoso mesmo, como ansiedade causada pela emoção ao ver o ex-presidente. É o carinho que a população tem pela figura de Lula. Mas foram casos muito tranquilos, principalmente quando viam que a Caravana contava com uma médica disponível para atendê-los”, disse.

Andreia completa que, na sua opinião, a comoção da população está relacionada ao grande desenvolvimento na região, consequente dos 13 anos de políticas públicas do governo do Partido dos Trabalhadores (PT). “A gente percebe que, quanto mais adentra os rincões do Brasil, as pequenas cidades do Sertão, a comoção da população é muito maior. É sentir na pele o que de fato foram as políticas públicas para essa população, e para nós, médicos populares, isso é fundamental, porque conseguimos ver como o próprio programa Mais Médicos conseguiu levar solidariedade para essas pessoas mais pobres”, disse.

O ex-presidente Lula teve um encontro com integrantes do programa Mais Médicos durante a passagem da Caravana por Recife (PE), tendo ouvido suas avaliações sobre a evolução do programa, e anseios sobre os desmontes orçamentários que já começaram a ser impostos pelo governo de Michel Temer (PMDB).

O carinho do povo pelo ex-presidente Lula também foi destacado pelo médico Lenadro Araújo da Costa, filho de assentados do município de Itapecuru-Mirim, que acompanhou a Caravana durante a passagem pelo Maranhão. “É um prazer poder fazer parte desse momento histórico do país, principalmente aqui no Nordeste, porque pudemos perceber o quanto o povo tem amor pelo presidente Lula. Para nós, que somos frutos da solidariedade de Cuba, filhos de camponeses e camponesas, poder prestar nossos serviços e conhecimentos é muito importante”, disse.

Já Johnathas de Oliveira Silva, médico e nascido no assentamento de Nova Conquista, em Açailândia (MA), que também acompanhou a Caravana pelo Maranhão, a contribuição dos médicos do MST à Caravana foi também um posicionamento político. “No atual momento que o país vive, de polarização política muito grande na sociedade, é o momento de se posicionar, não enquanto partido, mas enquanto classe. Então essa foi minha contribuição enquanto MST, médico da reforma agrária, filho de assentado que sou, ao companheiro Lula como o maior líder da nossa classe trabalhadora na América Latina. É com o sentido de solidariedade mesmo que reafirmarmos esse compromisso de classe nesse período”, concluiu.

*Editado por Leonardo Fernandes
Reproduzido pelo site do MST