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"Não existe nenhum país com a perspectiva de futuro que o Brasil tem", diz Lula a empresários franceses

22/03/2013 12:03

Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula

Lula participou na noite desta quinta-feira (21) de um jantar realizado pelo Consulado da França em São Paulo para empresários franceses que atuam no Brasil e parlamentares da França interessados na política aeroespacial do país. O ex-presidente falou do avanço das relações entre França e Brasil nos últimos anos, da necessidade de superação da crise internacional por meio do crescimento e das boas perspectivas que o Brasil tem pela frente.

Para baixar imagens em alta resolução, visite o Picasa do Instituto Lula.

“Não existe nenhum país no mundo com a perspectiva de futuro que o Brasil tem”, afirmou Lula lembrando a consolidação da democracia, a ascensão social e a criação de empregos no país. Ele falou que o Brasil ainda tem problemas, mas que muitos deles são decorrentes do crescimento e não da estagnação. “Hoje esse país tem o que ofertar a quem aqui quiser investir”, declarou.

Ele lembrou também o Fórum para o Progresso Social realizado pelo Instituto Lula e pela Fundação Jean-Jaurès, em dezembro de 2012, em Paris, e convidou todos para a segunda edição do seminário, que acontecerá nos dias 11 e 12 de julho, em São Paulo. O principal tema debatido no encontro do ano passado foi a necessidade de colocar o crescimento como saída para a crise.

Sobre as relações entre Brasil e França, Lula ressaltou que a força dos laços que unem os dois países e os avanços das relações nos últimos anos. A balança comercial entre os países, que era de 3,4 bilhões de dólares em 2003 chegou a 10 bilhões em 2012, citou Lula. Ele afirmou ainda considerar “um salto de qualidade” na relação entre os dois países a declaração assinada em dezembro do ano passado pela presidenta Dilma e pelo presidente François Hollande intitulada “Por uma nova etapa da parceria estratégica Brasil-França”.

Um dos anfitriões, o embaixador da França no Brasil, Bruno Delaye, disse estar honrado em receber o ex-presidente e afirmou que “Lula é a pessoa fora da Europa mais adorada pelos franceses”. Ele lembrou que Lula e Mandela são os grande nomes internacionais reconhecidos pelas diversas tendências políticas da França. “Admiramos ele porque ele mudou as coisas, mudou a vida de milhares de pessoas”, explicou. O outro anfitrião foi o cônsul da França em São Paulo, Damien Loras. Também falou no evento o empresário brasileiro André Esteves.

Fala de Lula

Em seu discurso, Lula lembrou que "o patamar atual de nossas relações e as perspectivas favoráveis que temos não caíram do céu. Refletem um esforço conjunto de muitos anos". Ouça abaixo a fala completa ou veja o discurso lido do presidente (o texto não inclui os improvisos):

Querido embaixador Bruno Delaye, querido cônsul Damien Loras, demais diplomatas franceses que atuam no Brasil.

É com satisfação que participo desse encontro com dirigentes de empresas francesas que investem no Brasil, com os parlamentares que nos visitam e demais convidados desta noite.

Agradeço o convite para estar aqui hoje com vocês. Cumprimento o caro amigo André Esteves. Acredito que esta reunião acontece em um momento particularmente positivo e auspicioso da relação França-Brasil.

No Fórum pelo Progresso Social que o Instituto Lula e a Fundação Jean Jaurès realizaram juntos em dezembro passado, em Paris, com a presença dos Presidentes Dilma Rousseff e François Hollande, ficou muito evidente a força dos laços que nos unem. Estiveram conosco, ali, importantes lideranças públicas e privadas dos dois países e os principais ministros dos respectivos governos, além de dirigentes de organismos multilaterais. A opinião geral é de que a cooperação Brasil-França, que já é muito boa, pode e deve ser ainda mais forte e abrangente.

O patamar atual de nossas relações e as perspectivas favoráveis que temos não caíram do céu. Refletem um esforço conjunto de muitos anos, tanto na esfera pública quanto na privada, que de modo consciente e determinado intensificamos na última década.

Para que vocês tenham uma ideia, a partir de 2003 houve 23 encontros entre os Presidentes brasileiro e francês e nada menos que 13 visitas de Presidentes franceses ao Brasil ou brasileiros à França. E nenhuma dessas atividades foi meramente protocolar. Todas elas se debruçaram sobre uma densa agenda de trabalho, discutindo e tomando decisões operativas sobre temas bilaterais e globais.

Desse modo, quando lançamos – o então Presidente Chirac e eu – em 25 de maio de 2006, a Parceira Estratégica França-Brasil, não se tratava de uma mera proclamação de intenções ou de retórica política. A parceria estratégica consolidou os esforços já realizados, nas mais diversas áreas, e estabeleceu objetivos ousados – mas concretos e palpáveis – para os anos seguintes.

Agora, quando li a declaração conjunta dos Presidentes François Hollande e Dilma Rousseff, de 11 de Dezembro último, a minha alegria foi grande. Porque neste documento está registrado um compromisso efetivo, que tem tudo para dar um novo salto de qualidade nas relações políticas, econômicas, sociais, cientificas e culturais entre os nossos países. Não é mais um abstrato e vazio “protocolo de intenções”. Sinceramente, ninguém pode deixar de considerar atentamente esse documento.

O seu título é muito pertinente: Por uma nova etapa da parceria estratégica Brasil-França. Os dois Presidentes decidiram “aprofundar” a parceira estratégica bilateral e dotá-la “de novas ambições” – e essa é uma atitude corretíssima porque já fizemos muito – mas podemos e devemos fazer muito mais. O que foi feito não é apenas para ser celebrado, mas para ser potencializado – ou fortalecido – e sobretudo ampliado.

Ali se afirma, de modo inequívoco, que os dois países vão incrementar suas iniciativas conjuntas tanto no que diz respeito às relações bilaterais quanto ao enfrentamento da crise internacional.

É nesse contexto que se situa a nossa relação. E é sobre essas duas dimensões que quero compartilhar com vocês algumas reflexões. Primeiro sobre a crise global, depois sobre as nossas relações bilaterais.

Concordo inteiramente com a decisão dos dois presidentes de “promover sua visão como de uma ordem internacional mais próxima e mais justa e de um sistema multilateral mais eficaz e representativo”.

E mais ainda quando afirma a necessidade de superar a crise internacional pela via de crescimento, da solidariedade e de uma cooperação global fortalecida. E que “a responsabilidade orçamentária deve ser acompanhada pela adoção de medidas de retomada do crescimento econômico que permitam aumentar o nível de emprego e preservar as conquistas sociais”.

O crescimento é a saída para a crise. Foi esse o espírito que nos moveu no Brasil em 2008, quando a crise se evidenciou. O incentivo à produção, ao investimento, que foi atendido por empresários brasileiros, franceses e de vários países do mundo possibilitou um salto significativo no nosso mercado interno de consumo.

Combinado com uma ação efetiva do Estado, através do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, e articulado com uma série de programas sociais de combate à pobreza, o resultado foi claro: desenvolvimento econômico com redução significativa das desigualdades sociais. Sempre com a manutenção permanente e consolidada de todas as instituições democráticas. Uma combinação que poucos países do mundo hoje podem compartilhar.

A chave do sucesso brasileiro foi transformar os pobres, que eram vistos como um problema, em parte fundamental da solução. Tornaram-se trabalhadores, consumidores, cidadãos, e fizeram a roda da economia girar.

É esse quadro, consolidado e seguro que o Brasil ofereceu até aqui para os investidores e empreendedores de todo o mundo e que nossos amigos franceses tiveram a oportunidade de conhecer para lhes dar segurança para atuar em nosso país.

Esse quadro se mantém intacto até aqui e suas perspectivas para os próximos anos são todas promissoras. Apesar de alguns problemas e dificuldades que ainda persistem e são do conhecimento de todos vocês que estão no Brasil há anos, temos todos os motivos para manter o otimismo. A taxa de desemprego no Brasil é a menor da nossa história. A inflação está sob controle. Não tivemos, não temos e não teremos crise na área energética, por mais que uns poucos torçam por isso.

Nosso ambiente de negócios é tranquilo, transparente e do conhecimento de vocês. Fizemos muito até aqui juntos e temos muito ainda para fazer juntos. Nosso intercâmbio comercial que era de US$ 3,48 bilhões em 2003 passou para US$ 10 bi em 2012, mas isso ainda é pouco para duas das maiores economias do mundo. Somos parceiros históricos, com laços inseparáveis entre nossos povos.

Em dezembro passado, em Paris, nossos presidentes deixaram claro o rumo do crescimento como saída para crise. Hoje, tenho a oportunidade de reforçar junto a vocês essa convicção. Desde já, trabalhamos juntos para organizar a segunda sessão do nosso Fórum pelo Progresso Social. Desta vez, aqui em São Paulo, nos próximos dias 11 e 12 de julho. Agora pretendemos reunir os representantes dos principais bancos de desenvolvimento do mundo. Desde já, eu convido vocês a participar deste esforço. Obrigado pelo encontro de hoje e considero que o nosso próximo encontro já está marcado.