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Não há país soberano sem educação, diz Lula em Teófilo Otoni

25/10/2017 00:07

Vista aérea da Praça Tiradentes, em Teófilo Otoni. Foto: Ricardo Stuckert

Por Clarice Cardoso e Mariana Zoccoli, 
Da Agência PT de Notícias 

No segundo dia da caravana Lula pelo Brasil, etapa Minas Gerais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira (24), de ato em defesa da educação em Teófilo Otoni.

Ele se disse emocionado por voltar à cidade onde esteve, pela primeira vez, em 1980. E lembrou que o objetivo da caravana é ouvir o povo das mesmas regiões por onde Lula e seus ministros passaram, entre 1993 e 1994.

Em uma fala direta aos que são opositores aos governos Lula e à presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente cobrou que essas pessoas assumam que derrubaram a presidenta eleita para colocar algo “pior” no lugar.

E lembrou, também, as informações envolvendo o presidente golpista Michel Temer, que tem liberado verba para deputados votarem contra a denúncia na Câmara.

“Agora vai cair o orçamento da educação em 18 bilhões de reais. A Folha já publicou duas vezes que na primeira votação, o Temer gastou 14 bilhões de reais comprando deputado. Agora, a matéria diz que vai gastar mais 12 bilhões de reais. Daria para resolver o problema da educação”.

“O que que é melhor pro País? Investir em educação ou gastar com deputado pra votar?”, perguntou.

“Esse país foi jogado no lixo a partir de 2013, quando eles começaram a caminhada para derrubar a Dilma. Não pense que aquela marcha que houve em 2013 era porque a Globo gostava de democracia. Ali, começaria uma caminhada para derrubar a presidenta”, completou o ex-presidente.

Lula também questionou as motivações que levaram os opositores a terem tanto ódio. “Eu fico pensando toda noite o que que nós fizemos de errado nesse país que criaram tanto ódio na gente? A explicação que eles têm para transmitir o ódio que eles transmitem é pela ascensão das pessoas mais pobres. Porque os de baixo não querem mais ficar na senzala e querem subir para a casa grande”.

Sobre as denúncias da Operação Lava Jato e a perseguição diária que tem sofrido, há anos, o ex-presidente disse que, em todas as buscas, só encontraram uma coisa: caráter.

“Invadiram a minha casa e levantaram até o colchão. Encontraram caráter! Quebraram meu sigilo bancário, foram procurar dinheiro ilegal na minha vida. Na minha não acharam, mas acharam na do Aécio e na de muita gente. Acharam jóia, ouro, dólar, euro, até um avião com 400 quilos de cocaína eles acharam. E esse avião desapareceu. E o dono dele nunca foi prestar um depoimento. Onde tá essa cocaína”.

Ele voltou a dizer que não quer estar “acima da lei”. “Eu não estou e não quero estar acima da lei porque todas as leis que estão sendo utilizadas para combater a corrupção foram feitas no meu governo e no governo da Dilma”.

E cobrou: “quero que eles tenham a coragem de pedir desculpas ao povo brasileiro. Eles sabem que o que eles estão fazendo”.

“Eles venderam a alma ao diabo e eu não vou deixar, porque meu pacto é com o povo brasileiro. Eles sabem que eu darei a vida para que a gente não permita que o país perca a soberania. Se eles não sabem como resolver o problema da economia brasileira, da crise, eu sei! É só colocar os pobres outra vez no centro da economia. É só não jogar a culpa em cima da Previdência, que a gente resolve o problema desse país, volta a ser respeitado no mundo, e volta a crescer”.

Educação como passaporte para o futuro

O ex-presidente voltou a defender a importância de ampliar, cada vez mais, os investimentos em educação. E reforçou: a elite brasileira que governou o País nunca teve interesse que as pessoas mais pobres tivessem acesso à educação.

“Não é possível nenhum país se desenvolver, conquistar a soberania, ficar rico se o seu povo não tiver uma boa formação escolar. Se o povo não tiver uma boa educação. É só olhar quais países são mais atrasados, mais pobres e os mais ricos. Os mais ricos são aqueles que investiram em educação. E os mais pobres, não”.

“Agora eles aprovaram a Emenda Constitucional para dizer que investir em educação é gasto, fazendo com que, durante 20 anos, a gente não possa investir nem na educação nem na saúde. Acham que investir na educação é gasto”, criticou Lula.

Em sua fala ao povo da cidade que esteve na praça Tiradentes para ouví-lo, Lula lembrou que não teve diploma e, por isso, “jurou” que ampliaria o acesso à educação no Brasil.

“Pelo fato de eu sentir na pele não ter um diploma é que eu jurei para mim mesmo que eu ia fazer com que um filho de pobre, negro, branco, índio, tivessem o direito a ter acesso à universidade. Eu não quero tirar o direito de ninguém fazer uma universidade. O que eu quero é que todos tenham a mesma oportunidade”.

Veja como foi o ato em Teófilo Otoni:

Lula pelo Brasil

A viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Minas Gerais, que acontece em outubro, é a segunda etapa do projeto que ainda deve alcançar as demais regiões do Brasil.

Em agosto e setembro, Lula pegou a estrada e percorreu os nove estados nordestinos, visitou inúmeras cidades, ouviu e conversou com o povo.


Por Clarice Cardoso e Mariana Zoccoli, enviadas especiais à Minas Gerais para a caravana Lula pelo Brasil, para a Agência PT de Notícias