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A "guerra às drogas" é uma guerra contra o povo negro e pobre

10/08/2017 23:03

Foto: Filipe Araújo

A "guerra às drogas" que se propala no Brasil tem sido, na verdade, uma guerra contra a população negra e pobre e tem falhado repetidamente no combate ao tráfico. Na tarde desta quinta-feira, o Instituto Lula reuniu médicos, psicólogos, acadêmicos e especialistas para debater a política de drogas no Brasil. A iniciativa foi capitaneada pelo ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha e pelo ator Fábio Assunção. 

Para baixar fotos em alta resolução do encontro, visite o Flickr do Instituto Lula.

A política de guerra às drogas existente no Brasil, que criminaliza o povo negro e pobre, foi o principal tema durante a reunião. Para Alexandre Padilha, é importante que esse debate volte a ser feito com a população para a diminuição da desigualdade e o fim do encarceramento em massa e genocídio da juventude negra no país. Para Padilha, o foco precisa ser tratar a vulnerabilidade dos cidadãos. De nada adianta tratar a pessoa em um hospital, onde não há drogas disponíveis e depois essa pessoa retorna às ruas e volta às drogas em seguida. É necessário construir políticas públicas ouvindo as pessoas para enfrentarmos o problema da desigualdade. "O tratamento do dono do helicóptero é diferente do tratamento dado a Rafael Braga, por exemplo. Precisamos mudar isso", afirmou Padilha.  

"Já somos a terceira maior população encarcerada do mundo. E isso diz respeito à guerra contra as drogas, que atinge principalmente o povo negro, sobretudo os jovens. Precisamos avançar nesse debate porque diz respeito a uma parcela muito grande da população", disse o deputado Paulo Teixeira.

O ex-presidente Lula falou também sobre a importância de construir uma narrativa mais humana e mais solidária em relação ao combate às drogas e disse que tem interesse em promover um grande debate nacional com todo mundo que discute sobre política de drogas atualmente no país. "Eu estou aprendendo aqui que, para resolver o problema das drogas de uma vez, é preciso resolver um monte de outros problemas do cidadão: segurança, alimentação, emprego, moradia... Temos obrigação de apresentar para sociedade que existem novas formas de tratar isso. Humanizar o tratamento é a melhor forma de resolver essa questão. Tem muita gente disposta a trabalhar para tentar resolver problemas que parecem insolúveis", concluiu Lula. 

As contribuições dos agentes sociais, psiquiatras, psicólogos e outros acadêmicos presentes devem servir para o início da construção de uma política progressista para o problema das drogas no país.