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Rei Ashanti de Gana visita Cais do Valongo, no Rio

19/10/2017 15:00

Rei Ashanti de Gana, Otumfuo Osei Tutu II, durante visita ao Rio de Janeiro. Ele também visitou Salvador e Brasília. Aqui, ele com o afoxé Filhos de Gandhy. Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz

Da ONU Brasil 

Patrimônio Mundial pela Unesco, o Cais do Valongo, maior ponto de desembarque do tráfico transatlântico – entre os séculos 16 ao 19 –, recebeu a visita do rei Ashanti de Gana, Otumfuo Osei Tutu II. Durante visita ao Brasil, o rei conheceu um pouco mais sobre a herança africana na cidade do Rio de Janeiro. Ele também visitou Salvador e Brasília.

Estima-se que, apenas no século 19, entre 500 mil e 900 mil africanos escravizados tenham passado pelo cais, nomeado como Patrimônio da Humanidade em julho deste ano.

Em torno do cais se desenvolveu um complexo escravagista com armazéns, pontos de venda de africanos escravizados, mercados, casas comerciais. Apesar deste vestígio recordar as atrocidades do tráfico transatlântico, ele também marca a presença da história e cultura africanas, que construíram e enriqueceram a sociedade brasileira.

“Nós na África estamos orgulhosos de ter irmãos e irmãs aqui também. Não é mais o tempo de vocês se sentirem sozinhos. Vocês devem se sentir conectados, sempre. Apenas o Atlântico nos separa. Eu disse a eles que estou certo de que ficaremos juntos novamente”, falou o rei em encontro com representantes da comunidade afro-brasileira, no Centro Cultural José Bonifácio.

Descendente direto do fundador do Império Ashanti e coroado em 1999, Otumfuo Osei Tutu II é o 16ª rei Ashanti. O Império Ashanti foi fundado em 1670. Kumasi, a atual capital Ashanti, localizada no centro de Gana, foi também a capital histórica do Reino.

Rica em minerais, a região é responsável por grande parte da produção doméstica e das exportações de Gana, país com cerca de 25 milhões de habitantes governado pelo presidente Nana Akufo Addo, que tomou posse em janeiro deste ano.

Além do Cais do Valongo, Otumfuo Osei Tutu II conheceu lugares que simbolizam o patrimônio imaterial africano na cidade como o Centro Cultural José BonifácioPedra do Sal e Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos. No sítio arqueológico, escravos recém-chegados eram enterrados. Hoje, o instituto relembra a tragédia do tráfico transatlântico.

A pedagoga Vanda Maria de Souza Ferreira, coordenadora de Relações Institucionais da Secretaria Municipal de Cultura do Rio, acompanhou a visita e destacou que a ancestralidade africana na cidade do Rio de Janeiro estava em festa. Para ela, esse encontro era uma oportunidade de retomar a história.

“O nosso país não conhece o impacto da chegada dos escravos aqui. Eu sinto a tristeza dessa invisibilidade ao ver que, historicamente, avançamos pouco. A história do Brasil é formada e constituída de gente que luta pelo reconhecimento do nosso povo”, disse Vanda em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).

Década Internacional de Afrodescendentes da ONU

Existem aproximadamente 200 milhões de pessoas vivendo nas Américas que se identificam como afrodescendentes. Muitos mais vivem em outros lugares do mundo, fora do continente africano.

Seja como descendentes das vítimas do tráfico transatlântico de escravos ou como migrantes mais recentemente, estas pessoas constituem alguns dos grupos mais pobres e marginalizados. Estudos e pesquisas de órgãos nacionais e internacionais demonstram que pessoas afrodescendentes ainda têm acesso limitado a educação de qualidade, serviços de saúde, moradia e segurança.

Nesse contexto, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o período entre 2015 e 2024 como a Década Internacional de Afrodescendentes.

A resolução cita a necessidade de reforçar a cooperação nacional, regional e internacional em relação ao pleno aproveitamento dos direitos econômicos, sociais, culturais, civis e políticos de pessoas de afrodescendentes, bem como sua participação plena e igualitária em todos os aspectos da sociedade.

Saiba mais sobre a Década em decada-afro-onu.org.