Lula reforça compromisso com integração após viagem a países andinos

“Espero seguir seu exemplo e tornar a Colômbia um país mais justo”. As palavras do presidente colombiano Juan Manuel Santos ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva expressam a preocupação com a construção de uma América Latina mais justa e igualitária. Na semana passada, Lula esteve em três países da América do Sul: Colômbia, Peru e Equador. Ele e se encontrou com os três presidentes, que destacaram a importância do exemplo brasileiro para o continente. “Por seu trabalho em favor da democracia, da diminuição das desigualdades e pela aproximação entre os povos latino-americanos, Lula é um dos maiores artífices modernos da grande pátria com que sonhamos”, disse o presidente equatoriano Rafael Correa. A convergência de governos progressistas no continente deixa cada vez mais claro, também, que a integração não pode ser apenas comercial, mas precisa envolver a política, a infra-estrutura, a comunicação, a cultura, sindicatos e universidades. “Sozinhos podemos ser mais rápidos, mas juntos podemos avançar mais longe”, resumiu o presidente peruano Ollanta Humala.

Colômbia
O ex-presidente começou sua viagem pela Colômbia, no dia 3, onde teve um encontro com o prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, sobre um intercâmbio maior de políticas públicas entre o Brasil e o governo da capital da Colômbia. Gustavo Petro tem inovado a atuação da prefeitura em temas importantes como o combate à violência e às drogas. Em janeiro ele esteve em São Paulo e participou do encontro com intelectuais sul-americanos “Caminhos progressistas para o desenvolvimento e integração regional”, promovido pelo Instituto Lula. Em abril, Lula gravou um vídeo em apoio ao Encontro Internacional pela Paz, promovido pela Prefeitura de Bogotá e diversas organizações sociais, com o respaldo do governo colombiano. “A mais poderosa arma em favor da paz é o diálogo”, disse Lula na ocasião. No mesmo dia, Lula jantou com o vice-presidente colombiano Angelino Garzón, que também foi dirigente sindical.

No dia seguinte, terça-feira (4), Lula se encontrou com o presidente colombiano Juan Manuel Santos e logo depois ambos seguiram para uma apresentação das políticas de combate à pobreza do governo colombiano, onde serão apresentados os programas “Famílias en accion” e “Mujer Ahorradora”. No evento, Santos lembrou que já havia dito, em 2011, que Lula era o exemplo de político que ele queria ser. “Espero seguir seu exemplo e tornar a Colômbia um país mais justo”, resumiu.

Peru
Ainda na terça-feira, Lula seguiu para o Peru, onde jantou com o presidente peruano Ollanta Humala e com a primeira-dama Nadine Heredia. Lula e Humala voltam a se encontrar na manhã seguinte, em Lima. Ambos discursaram em um encontro com Lula promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Peru em celebração aos 10 anos da Aliança Estratégica entre os dois países, firmada por Lula com o então presidente peruano Alejandro Toledo, em 2003. Em sua fala, Humala destacou o trabalho de Lula no combate à pobreza no Brasil e a favor da aproximação entre os dois países. “Sozinhos podemos ser mais rápidos, mas juntos podemos avançar mais longe”, resumiu o presidente peruano ao final de seu discurso. E recebeu de Lula uma afirmação de seu compromisso com a integração do continente. “No lugar onde eu estiver, na hora que for, a integração da América Latina para mim será uma profissão de fé”.

Lula e Humala comemoraram as conquistas desses últimos dez anos. Na última década, a corrente de comércio entre Brasil e Peru passou de US$ 650 milhões em 2002, para US$ 3,7 bilhões em 2012, o que significa um aumento de 464%. Desde 2012, praticamente todos os produtos peruanos entram no mercado brasileiro com alíquota zero. Em 2017, o mesmo deve ocorrer com produtos brasileiros vendidos ao Peru. A integração física também avançou significativamente, com obras como a conclusão da rodovia Transoceânica, que liga o Brasil ao litoral peruano, oferecendo uma alternativa de transporte de produtos brasileiros para o Pacífico e impulsionando a integração entre os dois países.

À tarde ele recebeu, das mãos da prefeita Susana Villarán, a Medalha Cidade de Lima. A prefeita justificou a distinção pelo trabalho de Lula no combate às desigualdades e a favor da educação e do emprego. “Fazemos votos para que continue por muito tempo com seu trabalho pela democracia, e pelo combate à pobreza e à desigualdade social. “Que este seja um símbolo da amizade e do carinho que temos a uma pessoa tão querida a nós”, completou.

No mesmo dia, Lula recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidad San Marcos, a mais antiga das Américas, fundada em 1551. Após receber o prêmio das mãos do reitor Pedro Atilio Corillo Zegarra, Lula confessou a emoção especial pela condecoração desta universidade fundada em 1551. “Imaginem o orgulho de receber esse título da mesma universidade que concedeu honoris causa para San Martí e Simón Bolívar”. Na sequência, ele participou de um encontro com cerca de 400 jovens intitulado “Pela irmandade dos povos peruano e brasileiro”, onde recebeu a visita surpresa do jogador Paolo Guerrero, do Corinthians e da seleção peruana. O ex-presidente Lula pediu que os peruanos não desistam de seus sonhos e incentivou a participação política da juventude. “Enquanto a maioria diz não gostar de política, os países continuam sendo governados pela minoria que gosta”.

Na manhã seguinte, em sua última atividade antes de partir do Peru para o Equador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou novamente com o presidente peruano Ollanta Humala e com a primeira dama Nadine Heredia em uma visita às obras do “Muelle de Minerales”, no porto de Callao. Lula conheceu projetos sociais de qualificação de trabalhadores e conversou com operários que trabalham na construção de uma correia transportadora de mais de três quilômetros que facilita e agiliza o carregamento de navios cargueiros que saem do Peru.

Equador
Lula chegou ao Equador na tarde de quinta-feira, dia 6, e foi ao encontro do presidente Rafael Correa. Lula congratulou Correa pela recente vitória eleitoral para o seu segundo mandato: “Parabéns pela grande força política que demonstrou nas eleições”. Correa agradeceu dizendo que “muito do que fazemos é inspirado no seu exemplo”. No início da noite, o ex-presidente recebeu das mãos do presidente equatoriano Rafael Correa a Ordem Nacional de San Lorenzo, a mais antiga do Equador, criada em 1809. Em seu discurso, Rafael Correa lembrou as origens de Lula e disse que ele é um dos principais protagonistas das transformações pelas quais o continente vem passando. “O Brasil é um país gigante, onde tudo se conta com seis ou sete zeros. O presidente Lula soube contar com o coração para mudar a vida de milhões de pessoas”.

À noite, o ex-presidente Lula falou a uma plateia de mais de duas mil pessoas no Teatro Nacional de la Casa de La Cultura, em Quito. Falando de improviso, Lula provocou risos e aplausos diversas vezes. Lula elogiou a transformação pela qual a América Latina passou nos últimos anos, com crescimento e diminuição das desigualdades. “Quando eu vejo o que aconteceu aqui no Equador, no Uruguai, na Argentina, quando eu vejo um índio governando a Bolívia, eu percebo que valeu a pena acreditar na política”. Na sequência, Lula jantou com o presidente equatoriano no Palácio Carondelet, sede do poder executivo.

No dia seguinte, sexta-feira (7), Lula falou a uma plateia de empresários sobre as relações Brasil e Equador. No encontro, Lula disse que os empresários, “que são quem transforma as decisões do governo em coisas práticas”, precisam fiscalizar e cobrar para que essas decisões não fiquem paradas nas gavetas da burocracia. Disse ainda que não entende como a banana equatoriana, que é exportada para todo o mundo, não pode entrar no Brasil e que é necessário trabalhar para a concretização do projeto Manta-Manaus, que liga o pacífico equatoriano à Amazônia brasileira.

Seu último compromisso no país aconteceu à tarde, quando ele recebeu dois títulos de doutor honoris causa, pela Universidad Andina Simón Bolívar e pela Escuela Politécnica del Litoral. As homenagens foram oferecidas na Sala Capitular San Agostín, mesmo local onde foi escrita a declaração de independência do Equador, em 1809. O reitor da Universidad Andina Simón Bolívar, Enrique Ayala Mora, disse que Lula é um exemplo para a integração da América Latina por ter consagrado um sistema de ideias que coloca o povo em primeiro lugar, ao mesmo tempo em que ouve todos os segmentos da sociedade. Sergio Flores, reitor da Escuela Politécnica del Litoral, destacou que “Lula estabeleceu uma nova maneira de governar ao assumir e cumprir o compromisso de lutar contra a fome e pela universalização do ensino”.

Em seu discurso de agradecimento, Lula disse o grande artista equatoriano Oswaldo Guayasamin tem uma frase que muito o impactou: “Chorei porque não tinha sapatos. Até que vi uma criança que não tinha pés”. E desafiou: “Temos que ser capazes de construir uma ética da solidariedade, um compromisso inalienável na luta contra todas as formas de sofrimento e humilhação produzidas pela miséria, o abandono e a exclusão”.

Lula encerrou reafirmando seu compromisso “de continuar trabalhando para tornar mais forte e ativa a integração entre o Equador e o Brasil”.

Todas as matérias sobre a viagem:

COLÔMBIA
Paz e integração latino-americana são temas de encontro de Lula e prefeito de Bogotá
Lula e prefeito de Bogotá discutem cooperação em políticas públicas
Lula janta com vice-presidente da Colômbia
Lula se reúne com o presidente colombiano Juan Manuel Santos
“Espero seguir seu exemplo e tornar a Colômbia um país mais justo”, afirma Santos a Lula (com áudio de Santos)

PERU
Em Lima, Lula se encontra com presidente peruano Ollanta Humala e primeira-dama Nadine Heredia
“Sozinhos, podemos ser mais rápidos, mas juntos podemos avançar mais longe”, diz presidente do Peru sobre integração (com áudios de Lula e Ollanta)
Por trabalho pela democracia e igualdade, Lula recebe Medalha Cidade de Lima
No Peru, Lula recebe honoris causa da universidade mais antiga das Américas (com discurso na íntegra)
Jogador Paolo Guerrero visita Lula em entrega de título de doutor honoris causa, em Lima
“Nós podemos construir um novo modelo de integração”, afirma Lula em Lima (com áudio da entrevista concedida a jornalistas)
Lula incentiva jovens peruanos a participar da política
Ao lado da primeira dama e do presidente peruanos, Lula visita obra de porto e conversa com trabalhadores

EQUADOR
Lula se reúne com presidente equatoriano Rafael Correa
Em Quito, Lula recebe a Condecoração da Ordem Nacional de San Lorenzo (com áudio de Rafael Correa)
“Os pobres deixaram de ser problema e passaram a ser solução na América Latina”, diz Lula em Quito (com áudio de Lula)
Presidente do Equador diz que Lula é grande artífice da integração da América Latina (com áudios de Lula e Correa)
No Equador, Lula recebe dois títulos de doutor honoris causa por exemplo à integração latino-americana (com áudio de Lula)

 

Experiências brasileiras inspiram vizinhos em nova doutrina de integração latino-americana

“Espero seguir seu exemplo e tornar a Colômbia um país mais justo”. As palavras do presidente colombiano Juan Manuel Santos ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva expressam a preocupação com uma nova integração da América Latina, com um continente mais justo e igualitário. Na semana passada, Lula esteve em três países da Comunidade Andina: Colômbia, Peru e Equador e se encontrou com os três presidentes, que destacaram a importância do exemplo brasileiro para o continente. “Por seu trabalho em favor da democracia, da diminuição das desigualdades e pela aproximação entre os povos latino-americanos, Lula é um do maiores artífices modernos da grande pátria com que sonhamos”, disse o presidente equatoriano Rafael Correa. A convergência de governos progressistas no continente deixa cada vez mais claro, também, que a integração não pode ser apenas comercial, mas precisa envolver a política, a infra-estrutura, a comunicação, a cultura, sindicatos e universidades. “Sozinhos podemos ser mais rápidos, mas juntos podemos avançar mais longe”, resumiu o presidente peruano Ollanta Humala.

A integração da América Latina é um eixo principal no trabalho do Instituto Lula. Durante a viagem, além do encontro com os três presidentes, Lula visitou também o vice-presidente colombiano Angelino Garzón, que foi dirigente sindical, e o prefeito de Bogotá, Gustavo Petro. O ex-presidente foi homenageado com três títulos de doutor honoris causa, um da Universidad San Marcos, em Lima, a mais antiga das Américas, e outros dois em Quito, da Universidad Andina Simón Bolívar e da Escuela Politécnica del Litoral, a Espol. Lula recebeu ainda outras duas homenagens oficiais, a Medalha Cidade de Lima, das mãos da prefeita Susana Villarán, e a Condecoração da Orden de San Lorenzo, a mais antiga do Equador, das mãos do presidente Rafael Correa. Lula teve também encontros e falou a empresários, jovens, políticos, representantes de movimentos sociais e militantes.

Brasil e a integração latino-americana
O exemplo do Brasil recente, com promoção de democracia, diminuição das desigualdades e um desenvolvimento multipolar, com um olhar prioritário para América Latina, tem sido fundamental para inspirar essa nova integração. “O Brasil é um gigante. Um país onde tudo se conta com seis ou até sete zeros. E Lula soube contar com o coração para mudar a vida de milhões de pessoas”, destacou Rafael Correa.

Para Lula, o Brasil tem um papel nessa integração, que é o de ser um irmão mais velho, que incentiva, “um indutor do crescimento dos outros irmãos”. O Brasil quer se desenvolver junto com a região. Por isso, temos que pensar não apenas em vender mais, mas também em comprar mais de nossos parceiros. “A verdadeira integração se faz com equilíbrio”.

Momento especial
Em suas falas, Lula elogiou o momento especial que o continente vive, com democracia, crescimento e diminuição das desigualdades. Nunca a América Latina teve tantos governos progressistas, comprometidos com a redução das desigualdades. E o ex-presidente fez questão de deixar claro que cuidar dos mais pobres é investir no desenvolvimento do país. “O Bolsa Família, que muitos diziam que era assistencialismo, aliado ao crédito e ao aumento do salário mínimo, foi o que permitiu que o Brasil não sentisse tanto a crise internacional”.

A ideia de que não era preciso esperar o bolo crescer para distribuir foi repetida como um exemplo nos três países que Lula visitou. O ex-presidente lembrou que a experiência de seu governo desmentiu três dogmas: “Mostramos que distribuir o bolo era a maneira certa de fazer ele crescer. Provamos ainda que era possível aumentar o salário mínimo sem a inflação. E provamos também que foi uma boa ideia fortalecer as relações comerciais com a América Latina e a África”.

Lula convidou intelectuais colombianos, peruanos e equatorianos a participarem das discussões sobre a integração da América Latina que o Instituto Lula está promovendo com diversos segmentos da sociedade. “Com inteligência, maturidade e paciência se poderá construir uma integração que perpasse por áreas como a comercial, a política, a de infraestrutura, a de comunicação, a de cultura e das universidades”.

Falando para diferentes audiências, o ex-presidente também incentivou e cobrou maior participação nesse processo de integração e desenvolvimento. Dos empresários, porque são quem “transforma aquilo que os governos decidem em coisas práticas”; dos jovens, para que acreditem na política e não deixem de cobrar dos governantes, quando discordarem; das universidades, não apenas para pensar a nova integração, como também para promover na prática um maior intercâmbio de estudantes dentro do continente.

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“Espero seguir seu exemplo e tornar a Colômbia um país mais justo”, afirma Santos a Lula (com áudio de Santos)

PERU
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EQUADOR
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Presidente do Equador diz que Lula é grande artífice da integração da América Latina (com áudios de Lula e Correa)
No Equador, Lula recebe dois títulos de doutor honoris causa por exemplo à integração latino-americana (com áudio de Lula)

No Equador, Lula recebe dois títulos de doutor honoris causa por exemplo à integração latino-americana

Em sua última agenda no Equador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu dois títulos de doutor honoris causa, pela Universidad Andina Simón Bolívar e pela Escuela Politécnica del Litoral. As homenagens foram oferecidas na Sala Capitular San Agostín, mesmo local onde foi escrita a declaração de independência do Equador, em 1809. O reitor da Universidad Andina Simón Bolívar, Enrique Ayala Mora, disse que Lula é um exemplo para a integração da América Latina por ter consagrado um sistema de ideias que coloca o povo em primeiro lugar, ao mesmo tempo em que ouve todos os segmentos da sociedade. Sergio Flores, reitor da Escuela Politécnica del Litoral, destacou que “Lula estabeleceu uma nova maneira de governar ao assumir e cumprir o compromisso de lutar contra a fome e pela universalização do ensino”.

A Universidade Andina Simón Bolívar, criada pelo Parlamento Andino em 1985, só concedeu títulos honoris causa a sete pessoas até hoje. O reitor Enrique Ayala Mora, que no começo do ano participou do Encontro com Intelectuais promovido pelo Instituto Lula, elogiou o ex-presidente por seu trabalho a favor da integração dos povos e disse que o prêmio vai a um homem “reconhecido por seu grande trabalho em seu país e na América Latina, pela integração latino-americana e pela promoção do diálogo do Brasil com países andinos”.

“Parte do imenso legado de Lula é seu sistema de ideias, que ele honrou em sua vida de sindicalista a político probo, que o permitiu conquistar a presidência de Brasil”. E continuou: “Buscando sempre consensos criativos sustentáveis, o sistema de ideias do presidente deve ser uma referência para líderes políticos, sindicalistas, trabalhadores e todos interessados no debate por um mundo de paz e justiça social”.

Em seu discurso de agradecimento, Lula disse o grande artista equatoriano Oswaldo Guayasamin tem uma frase que muito o impactou: “Chorei porque não tinha sapatos. Até que vi uma criança que não tinha pés”. E desafiou: “Temos que ser capazes de construir uma ética da solidariedade, um compromisso inalienável na luta contra todas as formas de sofrimento e humilhação produzidas pela miséria, o abandono e a exclusão”.

Lula encerrou reafirmando seu compromisso “de continuar trabalhando para tornar mais forte e ativa a integração entre o Equador e o Brasil”.

Presidente do Equador diz que Lula é grande artífice da integração da América Latina

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou nesta quinta-feira (6) a Quito, capital do Equador, onde se encontrou com o presidente Rafael Correa. Na sede do governo federal, Lula recebeu a Ordem Nacional de San Lorenzo, a mais antiga do país, instituída por ocasião da independência do Equador, em 1809. Posteriormente, Lula falou no Teatro Nacional de la Casa de La Cultura a uma plateia de mais de dois mil equatorianos sobre as conquistas e desafios da integração latino-americana, um dos eixos de trabalho do Instituto Lula. À noite, Lula e Rafael Correa jantaram juntos.

Ouça o discurso completo de Lula no Teatro Nacional de la Casa de La Cultura:

Para ver mais imagens e baixar fotos em alta resolução, visite o Picasa do Instituto Lula.

Durante a entrega da condecoração a Lula, Rafael Correa destacou a importância do Brasil para a América Latina, “um país onde tudo se conta com seis ou até sete zeros e Lula soube contar com o coração para mudar a vida de milhões de pessoas”. Correa disse que o ex-presidente brasileiro, por seu trabalho em favor da democracia, da diminuição das desigualdades e pela aproximação entre os povos latino-americanos, “é um do maiores artífices modernos da grande pátria com que sonhamos”.

“É um privilégio, para mim, conceder-lhe a condecoração da Ordem Nacional de San Lorenzo como demonstração de respeito, admiração e carinho profundo que sente nosso povo pelo presidente Lula”, completou Correa.

Antes de Quito, Lula visitou Bogotá e Lima. O ex-presidente continua em Quito nesta sexta, onde ministra uma palestra para a Câmara de Comércio Equatoriano-Brasileira e receberá dois títulos de doutor honoris causa à tarde.

Ouça abaixo o áudio de Rafael Correa na íntegra.

Para saber mais sobre o dia do ex-presidente Lula no Equador:
“Os pobres deixaram de ser problema e passaram a ser solução na América Latina”, diz Lula em Quito
Em Quito, Lula recebe a Ordem Nacional San Lorenzo

“Os pobres deixaram de ser problema e passaram a ser solução na América Latina”, diz Lula em Quito

Depois de receber a Ordem Nacional de San Lorenzo das mãos do presidente equatoriano Rafael Correa, o ex-presidente Lula falou a uma plateia de mais de duas mil pessoas no Teatro Nacional de la Casa de La Cultura em Quito. Falando de improviso, Lula provocou risos e aplausos diversas vezes. Lula elogiou a transformação pela qual a América Latina passou nos últimos anos, com crescimento e diminuição das desigualdades. “Quando eu vejo o que aconteceu aqui no Equador, no Uruguai, na Argentina, quando eu vejo um índio governando a Bolívia, eu percebo que valeu a pena acreditar na política”.

O ex-presidente destacou o papel dos governos de esquerda na América Latina, que passaram a olhar os pobres não mais como problema, mas como solução. Contou que o Bolsa Família, que muitos no Brasil chamavam de puro assistencialismo, foi essencial para que o Brasil não sofresse mais com a crise internacional. Teve que enfrentar críticos que diziam que era impossível aumentar o salário mínimo sem aumentar a inflação, e o salário mínimo teve aumento em todos os anos de seu governo, sem causar inflação. Pelo contrário, 36 milhões de pessoas saíram da miséria, 40 milhões ascenderam à classe média, foram criados 20 milhões de empregos formais. “O dinheiro na mão do pobre faz a economia girar, e é por isso que a América Latina dá certo”.

Lula foi convidado a falar sobre o tema “Governos progressistas e integração latino-americana” e um público formado por ministros, parlamentares e militantes de diversos movimentos sociais lotaram o teatro na capital equatoriana. Lula lembrou da época em que todas as atenções dos governos latino-americanos estavam voltados apenas para Estados Unidos e Europa. “A corrente comercial no Mercosul era de apenas 10 bilhões de dólares. Dez anos depois está em 50 bilhões. Na América do Sul, subimos de 15 para 70 bilhões; e, na América Latina, de 20 para mais de 90 bilhões”.

Mas essa integração não pode ser apenas comercial, como destacou o ex-presidente. Depois que deixou a Presidência e fundou o instituto que leva seu nome, um dos principais objetivos do ex-presidente é trabalhar pela integração latino-americana. “É preciso criar uma doutrina de integração latino-americana. Por isso estou me dedicando a falar com estudantes, sindicalistas, intelectuais, empresários, movimentos sociais…”.

Como havia feito em um encontro com jovens em Lima, no Peru, Lula terminou sua fala incentivando os equatorianos a participarem da política. “Muitos têm preconceito contra a política, dizem que não gostam de política. Mas saibam que fora da política não há solução. Todas as vezes em que a humanidade renegou a política, o que veio depois foi muito pior”. E continuou: “O político perfeito que nós queremos não precisa estar dentro do outro, pode estar dentro de nós. A América Latina necessita muito de vocês para que nunca mais haja retrocesso”.

Ouça o discurso completo de Lula:

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Em Quito, Lula recebe a Condecoração da Ordem Nacional de San Lorenzo

Lula se reúne com presidente Rafael Correa

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com o presidente do Equador, Rafael Correa, na tarde desta quinta-feira (6), em Quito.

Lula congratulou Correa pela recente vitória eleitoral para o seu segundo mandato: “Parabéns pela grande força política que demonstrou nas eleições”. Correa agradeceu dizendo que “muito do que fazemos é inspirado no seu exemplo.”

O ex-presidente recebe hoje, de Correa, a Ordem de San Lorenzo, a mais alta condecoração do Equador.

Lula pede a juventude peruana que participe da política

Aside

“Enquanto a maioria diz não gostar de política, os países continuam sendo governados pela minoria que gosta”. O ex-presidente Lula pediu que os jovens peruanos não desistam de seus sonhos e incentivou a participação política no encontro com jovens, intitulado “Pela irmandade dos povos peruano e brasileiro”. O encontro em Lima contou com a presença de 400 estudantes e com a visita do jogador do Corinthians e da seleção peruana Paolo Guerrero, que subiu ao palco e presenteou Lula com duas camisas, uma de cada equipe.

Para baixar fotos em alta resolução, visite o Picasa do Instituto Lula.

O ex-presidente brasileiro falou de improviso e relembrou sua trajetória política, incluindo as diversas derrotas que teve. Lula destacou o momento importante da esquerda na América do Sul e na América Latina. “Nunca tivemos a eleição de tantos governos progressistas em nosso continente”. Destacando a importância da integração em vários níveis, não apenas comercial, o ex-presidente lembrou a criação do Foro de São Paulo, em 1990, que serviu para que a esquerda latino-americana se conhecesse e se aproximasse na luta democrática.

A criação de uma doutrina de integração latino-americana foi um dos desafios colocados pelo ex-presidente. Esse é um dos principais temas de trabalho do Instituto Lula. “O que é integração? Não pode ser apenas comercial. Onde está a integração dos trabalhadores, dos estudantes, dos intelectuais?” E,falando do continente, completou: “Nós não precisamos de lição de ninguém. Queremos tomar nossas próprias decisões, andar com as próprias pernas”.

Na mensagem final, Lula voltou a falar da importância de que os jovens participem da política, como fez em outras ocasiões no Brasil. “Por que vocês não podem se tornar candidatos a presidente, governadores ou prefeitos? Aquele político perfeito talvez esteja dentro de vocês. Ninguém precisa procurar o político ideal no outro”.

No palco, ao lado de Lula estiveram Indira Huillca, conselheira da prefeitura de Lima e filha de Pedro Huillca, líder sindical assassinado em 1992; o líder estudantil Jorge Rodriguez, da Univerdidad de San Marcos; Gustavo Mohme, diretor e proprietário do jornal La República e Salomon Lerner, ex-primeiro ministro do Peru e presidente da ONG Otra Mirada, uma das organizadoras do evento.

Homenagens
Na tarde desta quarta-feira, o ex-presidente foi homenageado pela prefeita de Lima, Susana Villarán, que lhe conferiu a Medalha Cidade de Lima e, mais tarde, Lula recebeu também um título de doutor honoris causa pela Universidad Mayor de San Marcos, fundada em 1551, a mais antiga das Américas.

Para saber mais sobre os eventos desta quarta-feira, clique nos links abaixo:
Paolo Guerrero faz visita surpresa a Lula em Lima
No Peru, Lula recebe honoris causa da universidade mais antiga das Américas
Por trabalho pela democracia e igualdade, Lula recebe Medalha Cidade de Lima