Em Quito, Lula recebe a Condecoração da Ordem Nacional de San Lorenzo

Aside

Esta noite, em Quito, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu das mãos do presidente equatoriano Rafael Correa a Ordem Nacional de San Lorenzo. Esta condecoração é a mais antiga do Equador e foi criada em 1809.

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Em seu discurso, Rafael Correa lembrou as origens de Lula e disse que ele é um dos principais protagonistas das transformações pelas quais o continente vem passando. “O Brasil é um país gigante, onde tudo se conta com seis ou sete zeros. O presidente Lula soube contar com o coração para mudar a vida de milhões de pessoas”, disse Correa.

Correa disse ainda que lula é merecedor da condecoração por seu trabalho pela democracia, pela integração da América Latina, na luta contra a pobreza e por promover a aproximação e a amizade natural entre os povos brasileiro e equatoriano.

Lula se reúne com presidente Rafael Correa

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com o presidente do Equador, Rafael Correa, na tarde desta quinta-feira (6), em Quito.

Lula congratulou Correa pela recente vitória eleitoral para o seu segundo mandato: “Parabéns pela grande força política que demonstrou nas eleições”. Correa agradeceu dizendo que “muito do que fazemos é inspirado no seu exemplo.”

O ex-presidente recebe hoje, de Correa, a Ordem de San Lorenzo, a mais alta condecoração do Equador.

Ao lado da primeira dama e do presidente peruanos, Lula visita obra de porto e conversa com trabalhadores

Em sua última atividade antes de partir do Peru para o Equador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou novamente com o presidente peruano Ollanta Humala e com a primeira dama Nadine Heredia em uma visita às obras do “Muelle de Minerales”, no porto de Callao. Lula conheceu projetos sociais de qualificação de trabalhadores e conversou com operários que trabalham na construção de uma correia transportadora de mais de três quilômetros que facilita e agiliza o carregamento de navios cargueiros que saem do Peru.

Ao lado de 13 jovens formados pelo programa “jóvenes en la obra”, o presidente peruano disse que seu país, durante muito tempo, não se preocupou com a formação de seus trabalhadores. “Por isso hoje importamos operários técnicos e soldadores de outros países”, e lembrou a história de Lula, que também foi um metalúrgico, aos jovens trabalhadores do porto de Callao. “Aqui, a exemplo do que fez Lula no Brasil, não vamos esperar crescer para depois distribuir. É preciso distribuir enquanto crescemos”. Humala agradeceu ainda aos empresários brasileiros, responsáveis entre outras coisas pela obra no porto de Callao, por “vestirem a camisa do Peru” e apoiarem a formação de profissionais técnicos, com a inclusão de moradores locais e de mulheres.

Depois da visita, Lula partiu para Quito, no Equador, onde se encontra nesta tarde com o presidente Rafael Correa.

“Nós poderemos construir um novo modelo de integração”, afirma Lula em Lima

Após receber o título de doutor honoris causa pela Universidad Nacional Mayor de San Marcos, a mais antiga das Américas, o ex-presidente Lula falou com a imprensa sobre a importância da integração da América Latina. Ele ressaltou que a integração passa por diversas áreas sociais e que muito foi feito nos últimos anos.

Ele falou que com inteligência, maturidade e paciência se poderá construir uma integração que perpasse por áreas como a comercial, a política, a de infraestrutura, a de comunicação, a de cultura e das universidades.

O ex-presidente colocou a integração como uma tarefa difícil, mas afirmou que há um século de história que mostra como as coisas não devem funcionar. “A minha tese é que o Peru ficava olhando para os Estados Unidos e para a Europa e o Brasil ficava olhando para os Estados Unidos e para a Europa. Ficavam de costas um para o outro”. Descobrir similaridades, fortalecer o desenvolvimento industrial e a explorar corretamente os minérios são caminhos apontados por ele para que uma integração real aconteça.

Lula lembrou que quando chegou à Presidência não existia nenhuma ponte entre Brasil e Peru e brincou: “agora os peruanos já poderão ir assistir à Copa do Mundo de carro, no Brasil”.

No Peru, Lula recebe honoris causa da universidade mais antiga das Américas

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na tarde desta quarta-feira (5) o título de doutor honoris causa da Universidad Mayor de San Marcos, em Lima, a mais antiga das Américas. Após receber o prêmio das mãos do reitor Pedro Atilio Corillo Zegarra, Lula confessou a emoção especial pela condecoração desta universidade fundada em 1551. “Imaginem o orgulho de receber esse título da mesma universidade que concedeu honoris causa para San Martí e Simón Bolívar”.

Lula também se disse orgulhoso por, apesar de não ter tido a oportunidade de fazer um curso universitário, seu trabalho ter ajudado muitos brasileiros a terem essa oportunidade. Lula foi o presidente que mais universidades federais construiu no Brasil e lembrou também que em toda história do país apenas haviam sido construídas 140 escolas técnicas federais até 2003. Desde que Lula assumiu a presidência, já foram construídas 290 escolas técnicas federais no Brasil.

Citando os programas federais Prouni e Fies, Lula revelou sua emoção ao ver “um filho de ajudante de pedreiro estudando medicina ou um filho de jardineiro de cemitério fazendo democracia” e poder promover “oportunidades iguais para as pessoas durante sua passagem pela Terra”.

O ex-presidente defendeu o direito universal à educação de qualidade e a maior integração entre as universidades latino-americanas para promover uma verdadeira cultura latino-americana. “Nos últimos dez anos, 36 milhões de brasileiros e de brasileiras saíram da pobreza extrema. Mais de 40 milhões entraram na classe média. Criamos 20 milhões de empregos formais. O povo que conquistou esta proeza é o verdadeiro destinatário de todas as honrarias. Provamos que era plenamente possível crescer distribuindo renda, que não era preciso esperar crescer para distribuir. Provamos que era possível aumentar os salários sem aumentar a inflação.”

Leia abaixo o discurso lido na íntegra:
É uma honra imensa receber o doutorado honoris causa da mais antiga universidade latino-americana. A Universidade Nacional Maior de São Marcos é uma referência, por seu prestigio acadêmico internacional e pelo papel que desempenhou ao longo da História.

Esta casa foi o cenário privilegiado das lutas pela emancipação das nações americanas e da construção desse grande país que é hoje o Peru.

Aqui se formaram alguns dos mais renomados cientistas, intelectuais, escritores e humanistas que o país ofereceu ao mundo. É o berço da grande literatura peruana, uma das mais originais e criativas das Américas.

Imaginem a honra que significa receber a máxima distinção da universidade que concedeu o doutorado honoris causa a José de San Martín, a Simon Bolívar e a mais de dez Prêmios Nobel em variados campos do conhecimento.

Provavelmente seja eu o primeiro trabalhador metalúrgico a quem esta universidade concede um doutorado honoris causa. Fico muito honrado por isso.

Sou um trabalhador igual a tantos outros, que se tornou presidente do Brasil, pela vontade do seu povo. Um operário metalúrgico que nasceu numa das regiões mais pobres do Brasil e teve que migrar, junto com a mãe e sete irmãos, para a periferia de uma grande cidade em busca de sobrevivência.

Durante muitos anos da minha vida, carreguei com orgulho o diploma de torneiro mecânico, obtido num curso para jovens trabalhadores. Meu segundo diploma foi o de Presidente da República, outorgado em eleições livres pelo povo brasileiro.

Este doutorado não é apenas uma distinção à minha pessoa. Sei que ele significa também um reconhecimento às transformações que o Brasil e toda a América Latina têm conhecido ao longo da última década.

É um reconhecimento aos ideais e utopias que pareciam tão distantes alguns anos atrás e que começamos a construir de forma ativa nesta última década.

Magnífico reitor, meus amigos, minhas amigas,

Nos últimos dez anos, 36 milhões de brasileiros e de brasileiras saíram da pobreza extrema. Mais de 40 milhões entraram na classe média. Criamos 20 milhões de empregos formais.

O povo que conquistou esta proeza é o verdadeiro destinatário de todas as honrarias.

Provamos que era plenamente possível crescer distribuindo renda, que não era preciso esperar crescer para distribuir. Provamos que era possível aumentar os salários sem aumentar a inflação.

Provamos que a democracia se fortalece, se consolida e se aprofunda quando a riqueza se distribui de forma mais igualitária; quando se estende a todos a oportunidade de uma vida mais digna.

Mostramos que é possível melhorar uma sociedade quando os pobres deixam de ser tratados como um problema. e passam a ser considerados como parte fundamental da solução.

As conquistas sociais e econômicas no Brasil foram possíveis num contexto inédito de participação e mobilização da sociedade.

Ao longo do meu governo, foram realizadas 74 conferências nacionais, envolvendo 5 milhões de cidadãos, para definir políticas públicas que foram adotadas na educação, saúde, proteção à infância, desenvolvimento regional, meio ambiente, promoção da igualdade racial – enfim, nos diversos setores que conformam um projeto nacional de desenvolvimento com inclusão.

As grandes transformações na sociedade brasileira não se deram de forma isolada. Elas transcorrem num contexto regional sul-americano marcado por grandes avanços democráticos.

Cada país a sua maneira, de acordo com sua realidade, fomos capazes de superar regimes ditatoriais que faziam da América do Sul uma caricatura política e uma tragédia social.

A democracia é hoje um valor que nos distingue aos olhos do mundo. É um valor que se inscreve, em letras perenes, nos estatutos da Unasul e dos organismos regionais que construímos.

Meus amigos e minhas amigas,

A Universidade tem um papel destacado na consolidação democrática em nossa região. Ela deve assumir, com coragem e determinação, o desafio de combinar a excelência acadêmica e a ampliação das oportunidades de acesso e permanência dos mais pobres.

Compreendo esse papel como parte do esforço que fazemos para garantir o acesso ao ensino público de qualidade para todos. Trata-se de universalizar um direito básico e de criar condições para o desenvolvimento sustentado ao longo do tempo.

Quando assumi o governo, proibimos a utilização da palavra gasto no que se refere à educação. Todo o dinheiro público aplicado no ensino passou a ser tratado pelo seu verdadeiro nome: investimento. Com este pensamento triplicamos o orçamento federal em educação.

Os dados da expansão e a democratização do ensino durante a última década foram mencionados generosamente pelo Professor Marco Martos. Muito obrigado Professor pela síntese realizada.

Devo acrescentar que no dia de hoje, em Brasilia, a presidenta Dilma Rousseff está assinando os decretos de criação de 4 novas universidades públicas.

É o aprofundamento da diretriz que adotamos e que representou, em meu governo, duplicar o número de vagas no ensino público superior.

Vocês não imaginam o que significa, para este trabalhador metalúrgico, ter inaugurado no Brasil 14 universidades federais e 126 extensões universitárias, tornando-me o presidente que mais universidades criou na história de meu país.

Não é demais lembrar que a Universidade de São Marcos foi criada em 1551. No Brasil, a criação da Universidade do Rio de Janeiro, a primeira do país, data de 1920.

Para um jovem de família pobre da minha geração, ter acesso à universidade era um objetivo quase impossível.

Hoje, muitos jovens das regiões mais pobres do meu país, podem ter acesso à universidade, não só porque terminam o ensino médio, mas também porque passaram a ter um campus universitário na sua própria cidade ou numa cidade vizinha.

Meus amigos, minhas amigas,

Ampliar as oportunidades educacionais dos jovens pobres é a mais urgente e necessária reparação de uma injustiça crônica. Fazer com que o direito à educação deixe de ser patrimônio de poucos deve ser o compromisso de todo governo democrático.

Em 2005, nós criamos o PROUNI, um programa que troca a dívida de impostos das universidades particulares por bolsas de estudos para alunos de famílias pobres. Este programa já abriu as portas do ensino superior para mais de 1 milhão e 300 mil jovens.

Em 2010, revolucionamos o sistema de financiamento universitário, oferecendo crédito estudantil com juros subsidiados nos bancos públicos, com prazos de pagamento mais longos. Jovens médicos e professores que optam pelo serviço público têm suas dívidas simplesmente canceladas.

O Congresso brasileiro aprovou a Lei de Cotas, recentemente regulamentada pela presidenta Dilma, que destina 50% das vagas das universidades públicas para os estudantes mais pobres, os negros e indígenas.

Devido a esse conjunto de iniciativas, qualquer jovem brasileiro tem hoje a oportunidade de fazer um curso superior, algo com que os pais da grande maioria jamais poderiam sonhar alguns anos atrás.

Cuidamos também de ampliar as oportunidades de formação profissional no ensino médio, de forma que possam se integrar dignamente ao mundo do trabalho.

Em meu governo nós inauguramos 290 escolas técnicas de nível médio. Este número representa uma vez e meia toda a quantidade de escolas técnicas construídas ao longo de um século no Brasil.

Em parceria com as organizações da indústria e do comércio, o governo da presidenta Dilma criou o Pronatec, um programa de ensino profissional que já qualificou 2 milhões de trabalhadores e vai atender mais 6 milhões nos próximos anos.

Ela criou também o programa Ciência Sem Fronteiras, que já enviou 25 mil jovens brasileiros para estudar nas melhores universidades ao redor do mundo.

Podemos olhar com confiança para o futuro e saber que nossos jovens e as crianças de hoje vão compartilhar um mundo melhor, com mais oportunidades do que nossa geração conheceu, no Brasil e nos países que passam por transformações semelhantes.

Meus amigos, minhas amigas,

Recebo esse diploma com muita alegria porque sei que ele também reconhece o esforço conjunto para promover a integração da América Latina.

Uma das novas universidades que criamos dialoga diretamente com nossa história e nosso projeto comum. Trata-se da Universidade de Integração Latino-Americana.

A UNILA congrega professores e alunos de toda a região, incluindo uma centena de estudantes peruanos.

Nos últimos dez anos, a política externa brasileira manteve o claro sentido de reaproximar povos e países com profunda identidade histórica, social, cultural e econômica.

Ao longo de séculos, no entanto, estivemos afastados uns dos outros. Nosso olhar estava mais voltado para a antiga metrópole, para os grandes centros econômicos ao norte, do que para nossa origem comum na América.

Um simples exemplo é o bastante para constatar a distorção que estamos corrigindo: foram necessários mais de 500 anos para construirmos a primeira ponte ligando o Brasil ao Peru e a primeira ponte ligando o Brasil à Bolívia – e muito me orgulho que isso tenha ocorrido em meu governo.

Há uma década, o Brasil e o Peru iniciaram uma aliança estratégica que devemos fortalecer e ampliar. Nossos países devem crescer juntos, construindo todas as pontes possíveis.

A amizade entre Brasil e Peru fortalece o histórico processo de integração regional que vive hoje a América do Sul. Temos que estar mais unidos porque o nosso futuro não depende só de nós, senão do que sejamos capazes de construir juntos.

José Maria Arguedas, um dos filhos mais diletos dessa Universidade, escreveu certa vez: “qualquer homem não acorrentado e embrutecido pelo egoísmo, pode viver, feliz, todas as pátrias”.

A educação democrática nos liberta e despoja das amarras do egoísmo e do individualismo. Garantir a todos o direito a uma educação de qualidade, fazer do conhecimento um bem comum, um patrimônio público, permite construir sociedades mais justas, pátrias mais humanas.

Pátrias como as que um dia tiveram a coragem de imaginar os que fizeram da Universidade de São Marcos, uma das grandes universidades da América.

Honrando sua memória, expresso minha gratidão pelo diploma que vocês me concedem.

Muito obrigado.

“Espero seguir seu exemplo e tornar a Colômbia um país mais justo”, afirma Santos a Lula

O presidente colombiano Juan Manuel Santos apresentou nesta terça-feira (4) as políticas sociais do governo colombiano ao ex-presidente Lula. Em uma cerimônia que contou com depoimentos de beneficiários dos programas, Santos explicou o que tem feito para diminuir a pobreza em seu país e disse ver o ex-presidente Lula como exemplo.

Um dos programas destacados pelo presidente foi o “Famílias em ação”, que é semelhante ao Bolsa Família e já atende 2 milhões e 700 mil famílias colombianas. Desde a sua criação até maio de 2013, foram investidos nele 3 bilhões e meio de pesos. As ações sociais são desenvolvidas pelo Departamento para a Prosperidade Social, criado há apenas 18 meses pelo presidente Santos.

“Pela primeira vez nos últimos 2 anos rompemos a lógica da economia crescer gerando mais desigualdade. Os últimos dados mostram que reduzimos as desigualdades, nós e o Equador fomos os que mais reduzimos”, contou Juan Manuel Santos. O presidente afirmou que espera aplicar na Colômbia o que Lula “fez com muito êxito no Brasil” e conseguir resultados similares aos oito anos de governo Lula.

Santos lembrou ainda que, perguntado, em 2011, sobre que governante gostaria de ser, respondeu: “ quero ser como o presidente Lula”. Ele disse que espera terminar seu mandato de forma parecida com o ex-presidente brasileiro.

Depois de ouvir o presidente Santos e depoimentos de diversos beneficiários de programas sociais, Lula falou da felicidade de ver o que está sendo feito na Colômbia. “O pobre na hora que tem o dinheiro, educação e oportunidade, deixa de ser problema e passa a ser solução.”, afirmou, lembrando a importância que as políticas sociais tiveram para a economia brasileira. “Os pobres do mundo não querem favor, querem oportunidades”.

Lula destacou ainda que esse processo está acontecendo em diversos países latino-americanos: “Isso aconteceu no Brasil e está acontecendo na Colômbia, no Equador, no México, na Bolívia. Pela primeira vez em muito tempo, temos governantes tratando os pobres com carinho”, ressaltou.

O ex-presidente também falou da importância das negociações pela paz na Colômbia. “Se a Colômbia, que é esse país extraordinário, chegou tão longe apesar de 50 anos de conflito, irá muito além com a paz”, finalizou.

Ouça o início da fala do presidente Juan Manuel Santos:

Lula se reúne com o presidente colombiano Juan Manuel Santos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne na manhã desta terça-feira (4), com o presidente colombiano Juan Manuel Santos. O encontro começou às 9h e acontece no Palácio de Nariño, sede do governo da Colômbia. Logo após a reunião, Lula e Santos seguem para uma apresentação das políticas de combate à pobreza do Governo Colombiano, onde serão apresentados os programas “Famílias en accion” e “Mujer Ahorradora”.