Lula faz parte de grupo “fundamental” para integração do continente, diz reitora da Universidade de Lanús

Na última sexta-feira (17), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu oito títulos de doutor honoris causa, em Buenos Aires. Ana Maria Raramilho, reitora da Universidade Nacional de Lanús, única mulher entre os reitores presentes, contou que Lula foi escolhido por seu importante papel em prol da integração latino-americana.

A reitora explica que Lula faz parte de um grupo de políticos que foram figuras fundamentais para o modelo amplo de integração latino-americana para o qual caminhamos. Ao lado do brasileiro, ela citou o argentino Néstor Kirchner, Hugo Chávez, da Venezuela e “Pepe” Mujica, do Uruguai, que também já recebeu o honoris causa da Universidade de Lanús. Continue lendo

Lula recebe oito títulos de doutor honoris causa na Argentina

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta sexta-feira (17), oito títulos de doutor honoris causa, na Argentina. As universidades de Cuyo, San Juan, Córdoba, La Plata, Tres de Febrero, Lanús, San Martín e a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais homenagearam o ex-presidente em uma cerimônia que aconteceu no Senado argentino.

Para baixar fotos em alta resolução, visite o Picasa do Instituto Lula.

Em seu discurso, Lula lembrou que o primeiro diploma que desejou foi o de torneiro mecânico, do qual sua mãe tinha muito orgulho. “A emoção ao receber este primeiro diploma foi a mesma ao receber meu segundo diploma, o de Presidente da República”, lembrou ele. Para Lula, os oito títulos recebidos hoje reviveram aquela emoção.

“Esses títulos não são um reconhecimento [apenas] ao Lula, mas a uma década de transformações democráticas que viveu o Brasil, a Argentina e toda América Latina”, disse. Ele lembrou também o papel crucial do “companheiro Néstor Kirchner” neste processo e dedicou a homenagem ao ex-presidente argentino. “Néstor, esses títulos também são para você”.

O ex-presidente Lula falou também da importância da integração latino-americana, um dos focos de trabalho do Instituto que fundou. “Temos que trabalhar juntos, destruindo as barreiras que nos separam e construindo pontes que nos unam”, afirmou. Ele incentivou maior cooperação entre as universidades brasileiras e argentinas e homenageou os professores e alunos das universidades argentinas que lutaram contra a ditadura militar. Lula falou do papel crucial das relações entre Brasil e Argentina para a integração e brincou dizendo que a Argentina só não pode fazer na Copa do Mundo o que o Boca Juniors fez com o Corinthians na última quarta-feira, ou haverá um grande problema para a integração.

Lula terminou seu discurso falando da crise internacional. “Os que hoje estão em crise, sabiam resolver todos os problemas do meu país”, declarou. Ele falou da falta de peso das decisões dos organismos multilaterais e afirmou que “um dos grandes problemas que vivemos hoje é a falta de decisão política, porque faltam líderes políticos”. E terminou apontando uma saída para a crise: “Deem menos dinheiro para salvar os bancos e mais para salvar vidas humanas”.

O senador Daniel Filmus, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Culto do Senado argentino, fez o discurso inicial em que declarou que os títulos estavam sendo entregues a “um homem que lutou contra a adversidade”. Ele também lembrou que é a primeira vez que a Argentina tem 30 anos ininterruptos de democracia. Filmus reconheceu que os argentinos sempre foram ensinados a ter medo do Brasil e que Lula teve um importante papel em desfazer essa imagem. “Hoje, tirando no futebol, não temos grandes disputas”, brincou.

O senador terminou seu discurso falando da importância das lutas pontuais e constantes dos homens e afirmou que Lula é “um homem imprescindível ao Brasil, para os mais humildes, para os que lutam pela paz no mundo, para Argentina e para toda a América Latina”.

Os oito reitores entregaram os certificados dos títulos a Lula e o vice-presidente argentino, Amado Boudou, homenageou Lula com a Menção Honrosa Domingo Faustino Sarmiento. Boudou destacou a importância do desenvolvimento de um corpo de pensamento próprio da América Latina e lembrou a histórica decisão de Lula e Néstor Kirchner de dizer não à Alca e optar por uma integração regional.

Reunião com reitores
Antes da cerimônia, Lula se reuniu brevemente com os reitores das universidades que propuseram os títulos. Lula abriu a reunião falando da honra de receber a homenagem, mas também da responsabilidade que vem com isso. Cada um dos dirigentes universitários falou de suas realidades locais e dos motivos para a escolha do ex-presidente brasileiro. Carlos Ruta, reitor da Universidade de San Martín, disse que Lula é um “símbolo para nossos jovens, que precisam de exemplos de dignidade”. O vice-presidente Amado Boudou falou da importância do ato para a “Luta contra o colonialismo intelectual, que talvez seja o mais profundo colonialismo”. Lula citou duas revoluções da educação brasileira: o Prouni e a aprovação da política de cotas, que permitiram um acesso muito mais democrático à educação.

A Iniciativa América Latina
O governo Lula (2003-2010) promoveu uma remodelação na política externa brasileira, ampliando as trocas comerciais com parceiros diversificados, em todos os continentes. Nesse processo, os países da América Latina e do Caribe desempenharam, desde cedo, papel importante. Enquanto presidente, Lula fez 114 viagens aos países da região, que resultaram num aumento de quatro vezes no saldo comercial com a região, que saltou de cerca de dois bilhões, em 2002, para oito, em 2010. Tanto as importações quanto as exportações aumentaram durante o período de governo Lula.

O Instituto Lula se propõe a trabalhar em prol de uma maior integração latino-americana, uma integração que não se restrinja apenas ao plano comercial e que não seja assimétrica, mas que possa tornar a América Latina e o Caribe um polo de poder, condizente com a nova geopolítica mundial, num planeta que não é mais bipolarizado. Os desafios são inúmeros, e vão desde entraves burocráticos a dificuldades logísticas com a infraestrutura de transportes do continente.

Clique aqui para ler mais sobre a Iniciativa América Latina do Instituto Lula.

Diretor do Crisis Group acredita que Brasil é o “melhor exemplo” da combinação entre desenvolvimento e democracia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou o conceito que define o que é solução de conflitos. No lugar de resolvê-lo militarmente, ele escolheu enfrentar as raízes sociais e econômicas, que estão por trás de todos os conflitos. A avaliação é de Javier Ciurlizza, diretor do programa do International Crisis Group para a América Latina. Para Javier, liderar um país envolve encarar riscos, o que Lula fez com coragem. “Por isso as coisas mudaram”, sentencia.

Minutos antes, no discurso em que agradeceu o recebimento do prêmio “Em busca da paz”, conferido pelo International Crisis Group, Lula propôs que o combate à fome e à miséria fosse adotado em escala global como “o passo mais importante que podemos dar” no caminho da paz (leia o discurso completo abaixo).

Numa entrevista após o jantar em que Lula recebeu o prêmio, o peruano Javier Ciurlizza destacou ainda que Lula teve o mérito de ser o melhor exemplo na indução do desenvolvimento com democracia, uma combinação que, há alguns anos, “não acreditávamos” que seria possível.

Javier, que no Peru já foi diretor executivo da Comissão da Verdade e Reconciliação, chefe de gabinete do Ministério da Justiça, e conselheiro especial do Ministério das Relações Exteriores, ressaltou ainda a coragem que Lula teve por assumir os riscos e a responsabilidade por suas decisões. “Liderar um país implica em assumir também riscos pessoais, o que o presidente Lula assumiu. E por isso as coisas mudaram”. E concluiu sem rodeios: “quem não assume riscos, não muda nada”.

Leia abaixo a transcrição da entrevista:
Javier, por que Lula foi escolhido para este prêmio?

Crisis Group é uma organização dedicada à prevenção e solução dos conflitos e achamos que o presidente Lula, durante seu mandato e depois dele, transformou o conceito do que é resolver um conflito. No lugar de resolvê-lo militarmente, é enfrentar as raízes sociais e econômicas, que estão por trás de todos os conflitos. A aposta do presidente Lula, que foi pelo desenvolvimento e pela luta pela pobreza como os dois objetivos principais de sua luta e de sua visão de mundo coincide com o que nós entendemos que deve ser uma prevenção e resolução dos conflitos que afetam milhões de pessoas.

Qual a marca dos líderes em prevenção de conflitos?
Nós acreditamos que a prevenção dos conflitos depende do caráter dos líderes e da coragem que tenham para assumir descisões. Hoje [durante o jantar, dia 22] o presidente Lula disse algo muito certo. Os bons líderes são aqueles que tomam decisões pensando não na eleição de amanhã, mas sim na próxima geração. E essa é uma mensagem muito importante. Na nossa América Latina, onde ainda governamos muito de olho nas eleições, essa é uma mensagem muito muito importante. Trata-se, portanto, de adotar políticas de estado, e não políticas pessoais, trata-se de transcender os interesses pessoais e partidários. E assumir que liderar um país implica em assumir também riscos pessoais, que o presidente Lula assumiu. E por isso as coisas mudaram. Quem não assume riscos, não muda nada.

Vocês citam também que a diplomacia brasileira transformou o país num ator crucial global. Qual a importância que o mundo tenha mais desses atores?
Sem dúvida, um mundo multipolar e um mundo diverso é muito melhor que um mundo bipolar e o que um mundo unipolar. Porque a única coisa que a bipolaridade ou a unipolaridade asseguram é uma atitude imperial em relação aos demais, que foi o que vivemos no mundo durante muitos anos. O mundo está cheio de problemas e há muitos países que ainda não são de todo democráticos, mas sem dúvida, o surgimento de novos poderes, como Índia, como China, mas principalmente como o Brasil asseguram que a combinação entre democracia e desenvolvimento tenha mais exemplos para os outros países do mundo. E então, para os países da África, da América Central, os países pobres da Ásia, países como o Brasil são um exemplo de que é possível mudar as condições dos mais pobres, e fazê-lo com democracia, e fortalecendo as instituições. Essa combinação, em que até alguns anos não acreditávamos, porque era “ou” desenvolvimento “ou” democracia, creio que encontra no Brasil, e no caso do presidente Lula, seu melhor exemplo.

Leia também:
Lula recebe prêmio em Nova York por mudar o significado de paz e prevenção de conflitos

Lula recebe prêmio em Nova York por “transformar o significado de paz e prevenção de conflitos”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na noite desta segunda-feira (22) em Nova York o prêmio “Em Busca da Paz”, conferido pelo International Crisis Group. Lula foi homenageado por ter “impulsionado seu país a uma nova era econômica e política”.

Para baixar fotos em alta resolução, visite o Picasa do Instituto Lula.

O prêmio reconhece o trabalho de Lula em tirar milhões de pessoas da pobreza e construir uma política de parceria com vizinhos e países africanos, o que transformou o Brasil em um “ator mundial crucial”.

Em seu discurso, Lula propôs o combate à fome e à miséria como caminho para transformar o século 21 em uma era de paz. “Combater a fome e a miséria em escala global é o passo mais importante que podemos dar no caminho para a paz. E depois do que conquistamos no Brasil, eu me recuso a duvidar da nossa capacidade de fazer um mundo melhor. Combatendo a fome e a miséria, promovendo o diálogo e o respeito entre os povos, podemos fazer do Século 21 a era da paz”.

O Crisis Gorup trabalha em mais de 60 países na prevenção e solução de conflitos. Seus relatórios e análises são respeitados globalmente por atores que vão de governos à imprensa como documentos de referência sobre crises locais. “Nós acreditamos que para acabar com os conflitos é preciso entendê-los a fundo”, explica Louise Arbour. Entre os convidados do jantar desta segunda em Nova York estavam o megainvestidor e filantropo George Soros, o prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz e Mo Ibrahim, empreendedor sudanês que foi o pioneiro da “revolução dos celulares” na África.

Javier Ciurlizza, diretor de programa para América Latina e Caribe do Crisis Group, diz que sem esperança não há paz, e que Lula colocou isso em prática. “Ele defendeu a Unasul, que criou um espaço para as nações conversarem, no lugar de lutar. Ele trabalhou no coração da resolução de conflitos. Ele entende de uma maneira profunda que só erradicando a fome e a exclusão social, dando nova esperança às pessoas, a paz e a segurança são sustentáveis”.

Discurso
O ex-presidente falou durante pouco menos de 25 minutos (ouça o discurso na íntegra acima) e destacou que o compromisso dos governantes com a democracia e em melhorar a vida das pessoas é um passo fundamental para a paz. E voltou a defender que a crise deve ser combatida com desenvolvimento e distribuição de renda.

Leia também:
Diretor do Crisis Group acredita que Brasil é o “melhor exemplo” da combinação entre desenvolvimento e democracia

Thein Sein
Na noite desta segunda-feira, o presidente de Mianmar, Thein Sein, também foi homenageado. O general Thein Sein iniciou um processo de democratização de uma ditadura militar que já dura meio século. Ele convocou eleições, libertou presos políticos e permitiu que a imprensa privada sem censura prévia voltasse a atuar no país. “Mianmar iniciou um conjunto de reformas notáveis e sem precedentes desde que o governo do presidente Thein Sein assumiu em março de 2011″, disse a presidenta do Crisis Group, Louise Arbour. No entanto, na avaliação do próprio Crisis Group, o país asiático ainda precisa dar seguimento ao processo de liberalização política ocorrido até agora”.

Esta é a oitava edição do prêmio. Entre personalidades que já receberam a homenagem estão os presidentes dos EUA Bill Clinton e George W. Bush; os prêmios Nobel da Paz Martti Ahtisaari e Ellen Johnson Sirleaf, e o financista e filantropo George Soros.

O Crisis Group - www.crisisgroup.org/en/about.aspx (em inglês)
Focado na prevenção de conflitos internacionais, o International Crisis Group foi fundado em 1995, com o objetivo de ser uma organização independente de governos e com uma equipe profissional especializada para “atuar como olhos e ouvidos no mundo para impedir conflitos e com um Conselho altamente influente, capaz de mobilizar formuladores de políticas públicas ao redor do planeta”.

Atualmente, a organização emprega mais de 150 pessoas em 10 escritórios regionais, que cobrem cerca de 60 países em situação de risco ou de conflito ativo. O Crisis Group combina a publicação de relatórios e análises técnicas respeitadas internacionalmente, com um Conselho de Administração capaz de mobilizar outros formuladores de políticas públicas ao redor do globo. No conselho estão 10 ex-presidentes (dois deles americanos), um ex-primeiro ministro europeu e um Nobel da Paz, entre outros líderes nos campos da política, diplomacia, negócios e mídia.

 

Lula fala sobre combate à fome e à pobreza no México e em Washington

Na sexta-feira (19), Lula participará no estado de Chiapas, no México, a convite do governo mexicano, do lançamento da Cruzada Nacional contra el Hambre. A partir das 18h locais, junto com o presidente Enrique Peña Nieto, ele falará das experiências bem sucedidas do Brasil no combate à fome e à miséria.

No sábado (20), Lula estará em Washington, nos Estados Unidos, onde participará a partir das 20h do jantar oferecido pela Africare e entregará o prêmio da entidade para Mo Ibrahim, pela sua atuação em favor do desenvolvimento e redução da pobreza na África.

Lula foi convidado pela entidade para falar sobre o combate à pobreza na África na cerimônia desse ano, após ganhar o prêmio em 2011, mas não poder comparecer a cerimônia, na época, por motivos de saúde.

O ganhador do prêmio desse ano, Mo Ibrahim, é um empresário sudanês, fundador da Mo Ibrahim Foundation, que trabalha para melhorar a governança dos países africanos.

Na última etapa da viagem, em Nova York, na segunda-feira (22), Lula fará uma palestra para investidores promovida pelo banco BTG Pactual e será homenageado no jantar anual do prêmio Em Busca da Paz, promovido pelo International Crisis Group, junto com o presidente de Mianmar, Thein Sein.

Segundo a organização, o Prêmio do Crisis Group “é uma oportunidade para celebrar figuras inspiradoras do governo, diplomacia e políticas públicas, cuja liderança visionária tenha transformado a vida de milhões e trazido a promessa de um mundo livre de conflitos”. Os presidentes dos EUA Bill Clinton e George H.W. Bush, o Prêmio Nobel da Paz Martti Ahtisaari e o financista e filantropo George Soros são algumas das personalidades que já receberam a honraria.

O prêmio para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo comunicado do Crisis Group, é por ele ter: “impulsionado seu país a uma nova era econômica e política, tirando milhões de pessoas da pobreza. Sobre esta base sólida, seu governo se tornou um ator regional e mundial crucial, com uma agenda social e trazendo uma abordagem Sul-Sul para a cooperação internacional e o desenvolvimento global.

O presidente Lula ofereceu aos seus vizinhos regionais uma parceria, fazendo a integração uma realidade concreta. A diplomacia brasileira também ajudou os seus vizinhos da América do Sul a enfrentar suas próprias crises internas.

A solidariedade do Brasil para a África também foi notável, com o país abrindo 17 novas missões diplomáticas no continente durante o governo do presidente Lula. O Brasil também assumiu o comando da operação de manutenção da paz no Haiti e da parte naval da missão da ONU no Líbano.

O governo Lula desenvolveu uma diplomacia autônoma, em harmonia com as exigências da globalização e com os seus projetos de desenvolvimento. Alianças variáveis permitiram a nação a exercer uma presença mundial e aprofundar sua influência. Coalizões, parcerias estratégicas e novas alianças do Brasil permitiram ao país e a seus parceiros preencher o vácuo de poder no campo internacional.”

Lula retorna ao Brasil na terça-feira (23).

Mais sobre o tema:
O combate à fome na África é um dos objetivos do Instituto Lula. Saiba mais
Darius Mans, presidente da Africare visita Instituto Lula
Cruzada Nacional contra a Fome no México
International Crisis Group
Fundação Mo Ibrahim

Presidente da UNE representa Lula na entrega do Prêmio Darcy Ribeiro

O ex-presidente Lula viajou na manhã desta quarta-feira (13) para a África e não pôde comparecer à entrega do Prêmio Darcy Ribeiro ontem, em Brasília. O presidente da UNE, Daniel Iliescu, representou Lula na cerimônia, que aconteceu no salão nobre da Câmara dos Deputados.

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, sob a presidência do deputado federal Newton Lima (PT-SP), elegeu em 2012, de uma lista de 19 pessoas e entidades indicadas por deputados membros da Comissão de Educação e senadores, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Movimento Todos pela Educação e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para receber o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação 2012.

A entrega aconteceu nessa terça-feira (12) no Salão Nobre da Câmara dos Deputados em solenidade presidida pelo deputado André Vargas (PT-PR), 1º vice-presidente da Casa, e contou com a participação dos deputados Newton Lima e Gabriel Chalita (PMDB-SP), atual presidente da Comissão de Educação. O Movimento Todos Pela Educação foi representado por sua diretora-executiva, Priscila Cruz; o Senai, por seu diretor-geral, Rafael Lucchesi. O ex-presidente Lula foi representado por Daniel Iliescu, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

“Tanto o Movimento Todos pela Educação como o Senai merecem todo o respeito da sociedade brasileira pelo trabalho que realizam, principalmente porque são instituições que resolveram contribuir com as políticas governamentais e melhorar a qualidade da Educação no Brasil”, salientou o deputado Newton Lima.

Newton Lima fez questão de enfatizar, entre o conjunto de medidas que o presidente Lula tomou durante seus dois períodos de governo, os esforços empreendidos para ampliar os investimentos. “Ao assumir a presidência da República, o presidente Lula encontrou o país aplicando metade do que os países ricos do mundo aplicavam em Educação. A sexta potência do mundo aplicava 3,5% do PIB [Produto Interno Bruto]”, destacou.

“Em oito anos de governo, o presidente Lula fez um esforço extraordinário, além de demonstrar vontade política, e atingimos a marca de 5,1% do PIB nos investimentos na área”, lembrou o parlamentar. O deputado destacou ainda que graças aos esforços do presidente Lula, o país está prestes a lançar as bases para atingir a meta de 10% do PIB na Educação até 2020. “A presidenta Dilma Roussef também já demonstrou vontade política e agora cabe ao Congresso decidir sobre a destinação dos 100% dos royalties do petróleo para a Educação”, ressaltou.

Prêmio
Desde 1998, o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação é concedido anualmente a três pessoas ou entidades com trabalhos ou ações de destaque na defesa e na promoção da educação brasileira.

O ex-presidente Lula foi uma indicação da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ); o Movimento Todos Pela Educação, do deputado Raul Henry (PMDB-PE); e o Senai, do deputado Alex Canziani (PTB-PR). A escolha dos nomes que receberam o prêmio ocorreu em setembro do ano passado, em reunião da antiga Comissão de Educação e Cultura, hoje desmembrada para a criação de dois novos colegiados – um para a Educação e outro para a Cultura.

Darcy Ribeiro – Antropólogo, romancista e político mineiro, foi um dos principais intelectuais brasileiros e o fundador da Universidade de Brasília. Faleceu em 17 de fevereiro de 1997. No seu último ano de vida, dedicou-se especialmente a organizar a Universidade Aberta do Brasil, com cursos de educação à distância, e a Escola Normal Superior, para a formação de professores de 1º grau.

Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados concede Prêmio Darcy Ribeiro a Lula

Acontece nesta terça-feira (12) a cerimônia de entrega do Prêmio Darcy Ribeiro – 2012 premiação anual concedida pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Todo ano três personalidades ou instituições que se destacaram por terem efetuado contribuições importantes para a melhoria da Educação Nacional são homenageadas. Em 2012, os três escolhidos foram o ex-presidente Lula, o SESI – Serviço Social da Indústria e o Movimento Todos pela Educação. Lula nserá representado na cerimônia pelo presidente da UNE, Daniel Iliescu.

O ex-presidente foi escolhido, segundo o convite oficial, “em razão do conjunto de medidas que ele tomou durante seus dois períodos de governo para revolucionar o sistema educacional brasileiro”. A indicação do nome dele foi apresentada pela deputada Jandira Feghali (PC do B – RJ), com o apoio da deputada Luciana Santos, líder da bancada do PC do B.

Darcy Ribeiro foi um antropólogo, escritor e político brasileiro. Ele ficou conhecido fundamentalmente por trabalhos desenvolvidos nas áreas de educação, sociologia e antropologia e foi, junto com Anísio Teixeira, um dos responsáveis pela criação da Universidade de Brasília, no início dos anos 1960, e foi o primeiro reitor dessa instituição. Ele foi também ministro da Educação no governo Jânio Quadros e, mais tarde, chefe da Casa Civil no governo João Goulart. Desempenhou papel relevante na elaboração das chamadas reformas de base. Em 1992, passou a integrar a Academia Brasileira de Letras.