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Em frente à prisão em Curitiba, mais de 10 mil pessoas pedem Lula Livre

08/04/2019 10:55

Foto: Ricardo Stuckert

Do Brasil de Fato

Logo pela manhã, caravanas vindas de diversas partes do Brasil começaram a chegar em Curitiba (PR) para um ato político-cultural em denúncia da prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que completou um ano neste domingo (7). 

A atividade iniciou por volta das 8 da manhã com uma marcha que saiu do Terminal Boa Vista e prosseguiu até a vigília Lula Livre, no Bairro Santa Cândida, em frente à Superintendência da Polícia Federal, onde Lula é mantido preso. 

Entre os militantes, duas retirantes nordestinas, moradoras de Jundiaí, no interior de São Paulo, Edna e Edith, explicavam a motivação de viajar centenas de quilômetros para prestar sua solidariedade ao ex-presidente preso. 

“A gente vem a Curitiba pelo Lula e pelo que ele representa para todos nós. O Lula é um símbolo de honestidade, de generosidade. E a gente sabe que o Lula foi o único presidente que olhou para nós, o povo trabalhador”, disse Edith, que já visitou a vigília oito vezes desde que Lula foi preso.

“Eu, assim como o Lula, nos anos 70, em São Paulo, eu trabalhava em casa de família e via os vídeos das greves do Lula, no final dos anos 70, e já me sentia representada, como a retirante nordestina que sou”, relatou Edna que, depois dos governos do ex-presidente Lula, decidiu retornar a Xique Xique, na Bahia, sua terra natal. 

O ato contou ainda com a presença de parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PSOL), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), e Partido Comunista do Brasil (PCdoB), dirigentes de movimentos populares e entidades sindicais, além de artistas, como as atrizes Lucélia Santos, Guta Stresser e o ator Gregório Duvivier. 

A deputada federal Benedita da Silva (PT/RJ) leu uma carta da ex-presidenta Dilma Rousseff, que justificou a ausência por ter sido diagnosticada com pneumonia. Na carta, a ex-mandatária afirma que a “injusta prisão” de Lula “fere o Estado Democrático de Direito”, e destacou a consciência do povo brasileiro sobre sua inocência.

“Tentam lhe isolar numa cela apertada e, no entanto, tua imagem íntegra ganha as ruas, os corações e as mentes dos brasileiros. O conluio judicial e midiático que forjou a sua condenação fraudulenta visava a lhe afastar definitivamente do povo. Mesmo assim você resiste. Você está preso, há um ano, e mais do que nunca esteve próximo de nós. O povo brasileiro está contigo, querido amigo Lula”, escreveu Dilma. 

Multidão se reuniu nesse domingo (7) em frente a Polícia Federal em Curitiba para pedir liberdade ao ex-presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Já a presidenta do PT, a deputada federal paranaense Gleisi Hoffmann, leu uma carta do ex-presidente Lula dirigida aos manifestantes. Nela, Lula que está “preso pelo crime de dedicar uma vida inteira à construção de um Brasil mais justo", e agradece a solidariedade da militância no último ano. 

“Há exatamente um ano, sou acalentado pelo “Bom dia” e pelo “Boa noite, presidente Lula”, entoados a plenos corações não apenas pelos bravos integrantes dessa que é uma das mais longas vigílias de toda a história, mas também pela solidariedade que chega de todos os cantos do Brasil e até de outros povos do mundo”.

Vigília histórica

A vigília Lula Livre começou a existir desde o primeiro dia da prisão do ex-presidente Lula, há exato um ano. Militantes de movimentos populares, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), entre outros, decidiram ocupar um espaço ao lado da Superintendência da PF para acompanhar o cárcere do ex-mandatário.

Neudicleia de Oliveira, militante do MAB e coordenadora da vigília, conta que o espaço acabou se tornando um centro do debate político sobre as mais variadas temáticas, para além da exigência pela liberdade do ex-presidente. 

“A importância disso está na unidade construída, não só em torno da bandeira Lula Livre, mas a vigília Lula Livre vem sendo um palco para o debate que a esquerda vem fazendo hoje. E também tem sido um palco contra o governo Bolsonaro e a retirada de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”. 

Neudi conta que esteve com o ex-presidente Lula no dia 7 de março, quando ouviu dele próprio um profundo agradecimento pela disposição de seguir em vigília por sua liberdade. 

“Se não tivesse essa vigília, se não tivesse essa organização desse povo, provavelmente ele ficaria muito mais desanimado. Mas como ele sente esse calor humano e essa força que os militantes e apoiadores dão pra ele, ele se sente muito feliz e é muito grato a todas as pessoas que de uma forma ou de outra contribuem nesse processo”. 

Família presente

A filha mais velha do ex-presidente Lula também esteve no ato por sua liberdade em Curitiba. Emocionada, Lurian Lula da Silva falou ao Brasil de Fato sobre o calvário da família diante da perseguição jurídico-midiática desatada contra o pai. 

“É um ano que a gente vive esse massacre psicológico contra toda a família. E foi um ano muito difícil não só pela prisão, mas por todas as perdas de pessoas. A última, do Arthur, que foi o que mais mexeu a gente. E a gente fica pensando, como ele pode ficar sozinho, vivendo uma perda dessas? E é esse amor, esse calor, essa militância, que dá força pra ele e fortalece a família também”. 

O ato em Curitiba segue por todo o domingo com apresentações culturais e um ato inter-religioso à noite. As atividades na capital paranaense são parte da Jornada Internacional Lula Livre que acontece até o dia 10 de abril em diversas cidades do Brasil e do exterior. 

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira