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Há 56 anos, Brasil de Jango adotava método Paulo Freire

17/07/2019 12:46

Em pé, Paulo Freire explica ao presidente João Goulart e a políticos nordestinos a sua pedagogia do oprimido, observado por Miguel Arraes (à sua esquerda) e outras autoridades / Acervo Fórum de Educação de Jovens e Adultos

Da Fundação Perseu Abramo

Em 16 de julho de 1963, o governo federal do presidente João Goulart lançava a Campanha Nacional de Alfabetização e cria, para coordená-la, a Comissão de Cultura Popular (CCP), sob a presidência do educador Paulo Freire. O objetivo da campanha é disseminar pelo território nacional o método Paulo Freire, desenvolvido pelo Movimento de Cultura Popular (MCP) em Pernambuco, testado em vários estados do Nordeste e levado ao Rio, São Paulo e Brasília pelo Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE).

O governo Jango fora atraído pelos impressionantes resultados obtidos pela Pedagogia do Oprimido — como Freire designou o seu método — nas experiências de Angicos e Mossoró (RN) e João Pessoa (PB). Em Angicos, 300 trabalhadores foram alfabetizados em 45 dias.

Na presidência da CCP, Freire prepararia as bases de um amplo programa nacional, fazendo o levantamento do número e da localização dos analfabetos — 20,4 milhões de pessoas entre 15 e 45 anos em todo o território nacional — e a montagem de cursos de preparação dos professores.

Em 21 de janeiro de 1964, pouco mais de dois meses antes do golpe militar, Jango anunciaria o início do Programa Nacional de Alfabetização. A ideia de que o conhecimento pode ser, em si, algo revolucionário faria de Freire um alvo dos militares. Logo após o golpe de 1964, ele seria preso e obrigado a se exilar. Pelos 16 anos seguintes, disseminaria pelo mundo o seu método inovador de alfabetização.

A Pedagogia do Oprimido é um método de alfabetização que se inicia com a investigação do universo temático dos educandos; entende o conhecimento como um trabalho coletivo, onde todos, inclusive o professor, participam da compreensão da realidade local e da imersão naquele universo vocabular. A alfabetização é simultânea a uma releitura coletiva da realidade.

Após voltar ao Brasil, Paulo Freire lecionou em universidades e foi secretário de Educação da Prefeitura de São Paulo em 1989, durante a administração Luiza Erundina. Em 2012, foi reconhecido como patrono da educação brasileira.

Reconhecido internacionalmente, ele recebeu o título de doutor Honoris Causa - concedido a quem se destaca em sua área de atuação - por aproximadamente 27 universidades e prêmios como Educação para a Paz, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e Educador dos Continentes da Organização dos Estados Americanos. Além disso, Freire é o terceiro pensador mais citado no mundo na área de Ciências Humanas.

Esse texto é um trabalho do Memorial da Democracia, o museu virtual do Instituto Lula e da Fundação Perseu Abramo dedicado às lutas democráticas do povo brasileiro.