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Lula e Dilma no 12º Concut: Democracia não se reduz, se amplia

13/10/2015 21:03

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na noite desta terça-feira (13), ao lado da presidenta Dilma Rousseff da abertura do 12º Concut. O 12º Confresso da Central Única dos Trabalhadores, que vai até o dia 17 de outubro e tem como temas "educação, trabalho e cidadania — direto não se reduz, se amplia". E foi a presidenta quem tomou emprestado o lema do congresso para dar o tom dos discursos da noite. Pedindo licença aos autores do lema, ela arrematou: "Democracia não se reduz, se amplia".

Lula e Dilma dividiram o palco no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo, com o presidente da CUT, Wagner Freitas, o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad e representantes de entidades sindicais e movimentos sociais. 

Lula fez o discurso de encerramento da noite, mas dedicou boa parte de sua fala a destacar o forte discurso da presidenta Dilma Rousseff. "Hoje nós deixamos de ter apenas uma presidenta para ter uma líder política neste país". Lula disse que é preciso reconhecer que o país vive um momento de dificuldade, assim como grande parte do planeta, mas que chegou a hora de dedicar toda energia à retomada do crescimento. "Faz um ano que nós ganhamos as eleições e as pessoas não querem permitir que a Dilma trabalhe. Esse país não pode ficar falando em corte mais uma semana ou um mês. Esse país precisa falar de crescimento e emprego".

A fala do presidente da CUT, Wagner Freitas, também foi citada por Lula. "Este congresso é a afirmação da CUT como entidade representativa dos trabalhadores. Wagner mostrou que o trabalhador é consciente de que a CUT não pode ser correira de transmissão do PT ou de ninguém. Mas que tem lado e que é capaz não apenas de apontar os problemas, mas também de construir conjuntamente as soluções".

O ex-presidente Lula recomendou que todas as entidades presentes divulgassem o discurso de Dilma. "Aos nossos adversários não interessa o Minha Casa Minha Vida, o Pronatec". Para Lula, é por isso que esses opositores hoje buscam maneiras de impedir a presidenta, mas "a Dilma não ganhou as eleições para ficar batendo boca com os perdedores".

A presidenta Dilma, por sua vez, fez um discurso muito duro contra o golpismo de uma oposição que ainda não aceitou a derrota nas urnas e trabalha contra o Brasil, a favor de si. A presidenta falou ainda sobre a crise econômica internacional e seu compromisso de, apesar das fortes reduções no orçamento, preservar os direitos e oportunidades já alcançadas. "Eu compartilho com vocês a preocupação de interromper, com urgência, o crescimento do desemprego. Em nosso governo, o indicador mais importante, aquele que perseguimos dia e noite, é a geração de empregos".

Dilma defendeu as prioridades de seu governo em meio ao combate à crise. "Alguns dizem que não estamos fazendo nada, não é verdade. Mesmo nesse ano em que cortamos despesas e enfrentamos dificuldades, é importante falar aqui alguns números:

*Só em 2015 nós criamos 906 mil novas vagas para estudantes acessarem a universidade neste país.

*Mesmo nesse ano de dificuldades estamos criando 1,3 milhão de novas vagas no Pronatec

*Mantivemos a política de valorização do salário mínimo até 2019

*Até o final do ano de 2015 entregaremos 360 mil moradias, número maior do que foi entregue em qualquer ano antes de nossos governos.

*Nós chegamos a 18 mil médicos dos mais médicos atendendo 63 milhões de pessoas que não tinham atendimento adequado.

“Nós sabemos que existem dificuldades econômicas. É importante reconhecer isso para encontrar a solução adequada. Sabemos disso e faremos de tudo para que o país volte a crescer”.

E seguiu dura contra o golpe: 

“O que antes era inconformismo, por terem perdido a eleição, agora transformou-se num claro desejo de retrocesso político. E isso tem nome. Isto é um golpismo escancarado. Eu tenho consciência de que esse processo não é somente contra mim. É contra um projeto que levou milhões de pessoas à classe média, que ampliou direitos e construiu um poderoso mercado interno. É contra um projeto de país que hoje pode se orgulhar de ter sua primeira geração de crianças que não conheceu o flagelo da fome". E resumiu: "Esse golpe representa um golpe contra o povo. Mas podem ter certeza: não vão conseguir".

O ex-presidente uruguaio Pepe Mujica começou sua fala explicando sua presença na abertura do Congresso da CUT. "Estou aqui não apenas em solidariedade aos trabalhadores da CUT e ao meu amigo Lula. Venho de um pequeno país, portanto ninguém pode me chamar de imperialista. Mas nós, latino-americanos, chegamos tarde à era industrial. Se não juntarmos forças, não seremos nada no mundo que está por vir." Mujica concentrou sua fala nos trabalhadores e na democracia. E disse, aos companheiros da CUT: "É preciso lutar para manter as conquistas de hoje não porque são suficientes, mas porque são necessárias para que novas conquistas sejam alcançadas". O ex-presidente uruguaio incentivou os trabalhadores brasileiros a seguirem na luta por mais justiça e mais democracia. "A longo prazo, a única luta que se perde é a que se abandona. Por isso, lutem pela democracia".