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“A gente via três, quatro gerações trabalhando na mesma família como empregada doméstica. Agora não tem mais isso. Minhas filhas estão na universidade"

07/07/2014 12:27

“Há dez anos, uma empregada, um pedreiro ou um marceneiro que chegasse a um lugar e dissesse que tinha filho na faculdade era motivo de chacota. Riam deles”. A declaração de Analice Oliveira Souza reflete a realidade vivida por milhares de brasileiros e brasileiras em um passado não tão distante assim. Hoje, com o apoio de programas de acesso à educação e fortalecimento da economia, a doméstica de 46 anos que não concluiu o ensino fundamental pode se orgulhar de ter duas de suas filhas na universidade e um filho trabalhando em uma das maiores empresas do mundo, a Petrobras.

Nascida no município baiano de Ipirá, Analice teve uma infância difícil ao lado dos pais e três irmãos. A estiagem no sertão e a ausência de emprego obrigaram a jovem a se mudar para Santos, litoral de São Paulo, onde começou a trabalhar como doméstica aos 18 anos. “Quem fala mal do Bolsa Família hoje é porque acha que a gente tem memória curta e não lembra a cesta básica que mandavam pra gente na época de seca. Era aquele arroz com casca e feijão velho que nem cozinhava na panela. Ajuda, o povo que vive na seca tem hoje”, relembra.

Com certa estabilidade no emprego e algumas economias, conseguiu comprar uma casa simples em São Vicente e, já casada, vieram três filhos. Ricardo, o mais velho deles, hoje com 22 anos, fez cursos técnicos no Senai e conseguiu emprego na caldeiraria da plataforma da Petrobras em Porto Alegre. “Ele está feliz com a profissão que escolheu e numa empresa grande, boa. Uma vez por mês consegue vir para cá ver a família. E vem de avião porque as condições estão bem melhores hoje”, relata.

Vanessa, 20 anos, está cursando o terceiro ano de Direito na Unip de Santos com financiamento do Fies. “Imagina a alegria de uma mãe ao saber que em dois anos vai ter uma filha advogada!”, faz questão de frisar. Já a filha caçula de Analice, Vitória, de 17 anos, terminou o ensino médio em 2013 e com a nota do Enem, conquistou uma vaga no curso de fisioterapia na Universidade Federal de Santos pelo Sisu. “A gente via três, quatro gerações trabalhando na mesma família como empregada doméstica. Agora não tem mais isso. Minhas filhas estão na universidade. Amigas delas ganharam bolsas do Prouni, minhas sobrinhas conseguiram entrar no Pronatec”. E completou: “Eu vim da pobreza extrema, mas em dois anos terei uma filha advogada e, em mais quatro, terei uma filha fisioterapeuta. Não tem governo que tenha feito mais pelo povo do que Lula e Dilma. E agora com as duas na faculdade, até eu estou pensando em voltar a estudar”.