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Após visita a Lula, Amorim alerta para ameaça à soberania

17/05/2019 10:13

Foto: Joka Madruga

Do Brasil de Fato

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta quinta-feira (16) a visita do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira e do ex-chanceler Celso Amorim. Logo após encontro privado com o petista, os dois visitaram a Vigília Lula Livre para comentar sobre os principais assuntos da conversa: soberania nacional, educação e política externa.

Em sua primeira visita ao ex-presidente, Bresser-Pereira afirmou que Lula está muito preocupado com as questões da soberania nacional, já que o país e a sociedade vêm sendo "violentamente atacados" pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). Honrado de presenciar os 404 dias de resistência da Vigília, o político e economista, considerado um dos maiores expoentes do desenvolvimentismo no Brasil, enfatizou que Lula apresenta muita vitalidade física e psicológica.

"O Lula diz que a soberania não é só uma ideia de desenvolvimento econômico, é preciso também defender a educação, a saúde, a América Latina, o Mercosul [bloco comercial Mercado Comum do Sul], tudo isso faz parte da soberania. Ele está realmente a todo vapor e o Brasil precisa de líderes como ele. Quer dizer, o Lula é o maior líder que nós tivemos no Brasil depois de Getúlio Vargas". 

Em sua quarta visita ao petista, Celso Amorim afirmou que os impasses econômicos e sociais só serão resolvidos quando o Brasil tomar as rédeas de seu próprio destino.

"A soberania não é contraditória com a solidariedade, mas, sim, é contraditória com a subserviência a uma potência estrangeira que, infelizmente, a gente tem assistido hoje".

O ex-ministro das Relações Exteriores citou três elementos determinantes no tocante à defesa nacional: soberania, educação e justiça social.

"E com tudo isso, a gente compõe o que é preciso, que é a democracia brasileira. E não haverá democracia brasileira enquanto o presidente Lula não estiver livre. Não apenas solto, mas livre".

Preso político desde abril de 2018 na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), Lula não pretende apenas provar sua inocência, mas também sair "com a honra absolutamente limpa", afirmou Bresser-Pereira. O economista também é ex-ministro de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso e manifestou apoio à candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz, em janeiro deste ano.

Celso Amorim completou com uma frase dita pelo ex-presidente durante a visita.

"'O Brasil não é meu, eu que sou do Brasil’. Então, é Lula do Brasil, é isso que a gente tem que ter de novo, um líder promovendo com firmeza os interesses do povo brasileiro, do povo pobre e defendendo nossa soberania, mas, ao mesmo tempo, com base no diálogo e no entendimento. É isso que o Brasil precisa: de paz". 

Bresser-Pereira e Celso Amorim na Vigília Lula Livre / Foto: Joka Madruga

Autor de "A construção política do Brasil: sociedade, economia e Estado desde a Independência", Bresser-Pereira disse não ter boas expectativas para a questão econômica do país nesse governo.

"Agora, o fato é que a economia brasileira está ameaçada de nova recessão, certamente, um crescimento baixíssimo este ano. E isso se deve a um governo totalmente desvinculado dos interesses nacionais, que acredita que todos os problemas se resolverão com a reforma da Previdência", afirmou.

Os visitantes também lembraram do destaque que Lula, enquanto presidente, conquistou entre mandatários de outros países e a falta de brilho da política externa de Bolsonaro. O economista Bresser-Pereira afirmou não ter dúvidas de que Lula é um preso político e chamou a operação Lava Jato de "violência contra os direitos humanos", além de mais uma ameaça à soberania nacional.

"A operação Lava Jato fez um mal para política e economia brasileiras. As empreiteiras são um ativo nacional, que foi, em parte, destruído. A quem interessa isso? Aos nossos concorrentes, interessa aos países ricos".

Celso Amorim e Bresser-Pereira reforçaram o recado de Lula à toda a população — não apenas à esquerda ou ao PT — de não permitirem que a educação, a ciência e a tecnologia sejam destruídas pelo governo eleito.

Edição: Aline Carrijo