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Cartas a Lula: Se hoje eu me formo é por tua causa

24/07/2019 13:05

Foto: Arquivo Pessoal

Série Cartas para Lula

CARTA 2 – EDUCAÇÃO – ROSSANA SANTOS ROCHA MATIVI – UFRGS
(leia também a carta 1, da engenheira Florestal Marina Londres)

Por Celso Marcondes

Um ano antes do ministro da Educação anunciar seu plano de privatização das universidades federais, uma estudante em Saúde Pública da Universidade Federal do Rio Grande do Sul enviava emocionante carta a Lula, convidando o ex-presidente para sua formatura.

Rossana Santos Rocha Mativi recebeu seu diploma em agosto passado. Indignada com a prisão de Lula, em abril de 2018, ela fazia questão de ter a presença dele no momento mais importante da sua vida. Filha de uma dona de casa com um bancário, Rossana atribuiu ao governo do ex-presidente a possibilidade de concluir seu curso universitário numa instituição pública considerada das melhores do país.

Trabalhadora desde 2006 no Grupo Hospitalar Conceição, uma referência de atendimento ao SUS na região, Rossana concluiu seu curso técnico, mas foi obrigada a interromper seus estudos. Ela conta que apenas em 2011 venceu o vestibular da UFRGS, mas levaria oito anos para se formar. Conciliar o trabalho diário nos hospitais com o curso universitário, foi sua maior dificuldade. “O desejo de cursar a UFRGS fez com que eu postergasse o curso até quase jubilar! Acabei diminuindo as cadeiras devido ao trabalho, à saúde, a falta de emprego para os colegas egressos, o anseio de aproveitar tudo o que a UFRGS tinha para oferecer”.

Angustiada, ela perguntava à Lula: “Até quando a UFRGS continuará sendo pública?! Não sei!” E prosseguia: “Meu pessimismo é gigante e algo me diz que meus sobrinhos não terão as mesmas oportunidades que tive! Triste tempos vivemos, Lula!”.

Rossana explicava que o curso foi criado “por intermédio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que representou um baita investimento na educação superior! Gratidão tenho por ti que fez o sonho de muita gente se realizar!”

Criado através do Decreto nº 6.096, de abril de 2007, era uma das ações que integravam o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), durante o primeiro governo Lula.

Como está explicado no site oficial do Ministério da Educação ainda hoje, “a expansão do ensino superior conta com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que busca ampliar o acesso e a permanência na educação superior. A meta é dobrar o número de alunos nos cursos de graduação em dez anos, a partir de 2008, e permitir o ingresso de 680 mil alunos a mais nos cursos de graduação. 

Para alcançar o objetivo, todas as universidades federais aderiram ao programa e apresentaram ao ministério planos de reestruturação, de acordo com a orientação do Reuni. As ações preveem, além do aumento de vagas, medidas como a ampliação ou abertura de cursos noturnos, o aumento do número de alunos por professor, a redução do custo por aluno, a flexibilização de currículos e o combate à evasão.”

Neste 23 de julho de 2019, na contramão da história e da carta de Rossana, o ministro da Educação, Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub, ex-sócio da gestora de fundos Quest Investimentos, ex-integrante do Comitê de Trading da Bm&fBovespa e do Comitê de Macroeconomia da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), vem a público para informar que o novo Programa vai possibilitar a contratação de professores nas universidades sem qualquer concurso, por meio de Organizações Sociais.

As universidades públicas, como temia Rossana há mais de um ano, caminham celeremente para um processo de privatização. 

Leia a carta na íntegra no blog que Rossana criou: http://rossana-saudecoletiva.blogspot.com/2018/04/carta-convite-aberta-ao-luis-inacio.html