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“Dedicarei minha vida a provar minha inocência”

14/11/2019 11:17

Lula se reúne com membros do Comitê Lula Livre / Foto: Ricardo Stuckert

“Eu não tenho como agradecer o que vocês fizeram por mim durante esses 580 dias. Essa solidariedade é algo impagável. Eu só posso retribuir dizendo a vocês que eu dedicarei minha vida a provar minha inocência.”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou pela primeira vez nesta quarta-feira (13) com membros da direção do Comitê Lula Livre, no Instituto Lula. Lula dedicou boa parte da sua fala a agradecer a solidariedade e o trabalho de todos os comitês espalhados pelo Brasil e pelo mundo. 

Apenas quatro dias após deixar a prisão, reafirmou que não quer se concentrar no ódio, mas em discutir o futuro do país. “Ninguém pode me devolver os 580 dias que passei preso. E para um velho de 74 anos, 580 dias equivalem a anos de um jovem. Mas eu não quero me apegar ao ódio. O povo deste país está sendo mais prejudicado do que eu, está perdendo direitos, perdendo emprego, perdendo salário, perdendo dignidade.”

Lula ainda destacou que sua prisão não terá valido de nada caso o Brasil não se liberte da insanidade a que está submetido. Segundo o ex-presidente, “é proibido gostar de pobre neste país”. Para ele, o golpe contra Dilma Rousseff, bem como sua prisão e interdição de sua candidatura são respostas da “perversa” elite brasileira à primeira experiência de inclusão social da história do Brasil. Lula ainda reiterou que a luta é o único caminho para a vitória, e se colocou à disposição dos brasileiros e brasileiras: “Eu sou um instrumento para as conquistas do nosso povo”.

Após a intervenção do ex-presidente, a Comissão Executiva do Comitê Lula Livre seguiu em reunião para discutir os rumos da campanha em defesa de Lula. Ficou decidido que atividades do Comitê continuarão até que Lula tenha um julgamento justo, sua inocência recuperada e todos seus direitos garantidos.

Os presentes lembraram a importância de seguir em luta, uma vez que Lula é vítima de uma armação que coloca em risco não só ele, mas a própria democracia. O ex-presidente ficou 580 dias em cárcere devido à condenação sem provas assinada por Sergio Moro, juiz que deixou a magistratura para ser ministro do atual presidente — o maior beneficiado político pela ausência de Lula nas urnas. Ainda assim, o ex-presidente só foi preso devido a uma manobra do STF, que em 2016 alterou o entendimento de uma cláusula pétrea da Constituição para permitir a prisão imediata de réus sem que houvesse o trânsito em julgado de seus processos. Sem essa mudança de entendimento em 2016, Lula jamais teria sido preso.