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Instituto Lula reúne vozes da periferia para debater retrocessos no país

21/03/2019 16:38

Foto: Divulgação

Nesta quarta-feira (20), o Instituto Lula realizou uma reunião para ouvir movimentos e ativistas da periferia e debater a campanha por um julgamento justo para Lula. Tamires Sampaio, diretora do Instituto, apresentou a ideia lembrando que "desde os tempos do Instituto Cidadania, antes da eleição de Lula, o Instituto é um espaço de diálogo e pluralidade, com especial atenção às vozes das periferias na defesa da democracia e dos direitos do povo".

Estiveram representadas vozes do teatro, do funk, do rap, do slam, da comunicação alternativa, do grafite e do movimento negro, entre outras. O entendimento conjunto foi de que a conjuntura de um governo que vira as costas para seu povo e para a soberania do país exige ações que articulem informação, cultura, arte e resistência, e que a periferia tem condições de ser protagonista nessas ações.

Patrícia Moura, poeta do slam, abriu as falas dizendo que a periferia sempre teve voz, o problema é que ela quase nunca foi escutada. E diante dos desafios colocados, mais do que nunca é hora de acessá-la, e construir uma relação sólida e permanente com aqueles que “fazem o país se mover”. Juliana Borges, ex-secretária adjunta na Secretaria de Políticas para as Mulheres da prefeitura de São Paulo, acrescentou a necessidade de a construção com as periferias ser uma ação cotidiana, e alertou que este é o momento de “exercer o lugar de escuta”.

Para Juliana, o sistema de justiça criminal como um todo precisa ser revisto. A luta por Lula Livre, dessa forma, se insere numa mobilização maior pela “radicalização da democracia”.

Preto Claudinho, ex-coordenador de Políticas para a Juventude do Município de São Paulo, pontuou que enquanto Lula estiver preso, a normalidade política não será restaurada no país. Claudinho ainda apontou que o desafio colocado na campanha pela liberdade do ex-presidente é a disputa de imaginário popular, uma vez que as vias do Judiciário muitas vezes se mostraram limitadas pela parcialidade dos juízes.

Este entendimento foi reforçado por Pedro Borges, jornalista do Alma Preta, que destacou a necessidade de os movimentos de periferia se engajarem de forma articulada na luta pela liberdade de Lula, lembrando que ele é a figura capaz de barrar os retrocessos impostos pelo novo governo. Borges ressaltou que apesar da gravidade das declarações racistas, machistas e LGBTfóbicas proferidas por Jair Bolsonaro, o que o presidente eleito tem de pior a oferecer para a população periférica é seu projeto econômico e político.

Renata Prado, fundadora da Frente Nacional de Mulheres do Funk, trouxe o entendimento de que “a arte é movimento político de forma orgânica” e que a periferia nunca fugiu do enfrentamento, porque isso faz parte da luta pela sua própria sobrevivência. E assim seguirá no próximo período.

Ao final da conversa, foi decidida a formação de uma rede composta pelos movimentos, ativistas, artistas e lideranças políticas presentes, além de outras parceiras, engajadas na luta pela liberdade de Lula. A ideia é que as ações, tocadas de forma conjunta, agreguem cada vez mais vozes e sejam cada vez mais plurais. Como primeira tarefa, o grupo deve planejar atividades para a Jornada Lula Livre, a começar no próximo dia 7 de abril, quando se completa um ano da injusta prisão de Lula.