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Lucro X aprendizado: os problemas da EaD

04/07/2022 17:18

Divulgação

Em vídeo, professor relata rotina extenuante e improdutiva diante da tarefa de lecionar para mais de 20 mil alunos de educação à distância, espalhados por todo o país 

Assista ao vídeo com o depoimento do professor Gabriel Teixeira


É possível imaginar que um professor tenha como ensinar devidamente sendo responsável por mais de 20 mil alunos? A resposta correta seria “não”. Mas essa questão hipotética trata da realidade de professores e alunos do ensino à distância, o cada vez mais difundido EaD. O relato do professor e sociólogo Gabriel Teixeira impressiona e preocupa. 

Integrante da Rede de Educadores do Ensino Superior em Luta, Gabriel Teixeira participou do debate promovido pelo Instituto Lula, em 21 de junho, sobre os desafios do EaD para a democratização do Ensino Superior .

“Trabalhei num desses grupos multinacionais, no caso a Laureate, de capital estadunidense. Ela operava todo seu EaD desde São Paulo e atendia o país inteiro. Só para você terem uma ideia, eu era contratado por três instituições do Nordeste”, conta ele. “Éramos 300 professores trabalhando num pequeno prédio na Vila Olímpia atendendo 300 mil alunos do país inteiro.”

Gabriel Teixeira chegou a ter 20 mil alunos num único semestre. A sobrecarga de trabalho dava lucro à empresa. “Lembro que lia relatórios de consultorias contratadas por esses grupos para tentar calcular o impacto da portaria do (Abraham) Weintraub (ex-ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro) que aumentava para até 40% a carga de EaD em cursos presenciais”, diz o professor. “A diminuição do custo operacional era da ordem de 40%.” 

Enquanto isso, professores extenuados chegavam a contar 40 mil, 60 mil trabalhos para corrigir, a depender do número de disciplinas que lecionassem. “(Nesse modelo) Não dá para ser conceber um percurso formativo em que os alunos sejam avaliados mais de uma vez por disciplina ao longo de um semestre.”